Por Terezinha Nunes, especial para o Blog de Jamildo
Um sonho dos pernambucanos, acalentado durante décadas, a duplicação da BR-232, no trecho Recife-Caruaru, foi realizada na gestão do então governador Jarbas Vasconcelos, cabendo ao atual governador, Eduardo Campos, a conclusão do segundo trecho, o que liga Caruaru a São Caetano.
Não é necessário falar das dificuldades para execução da obra que precisou rasgar a Serra das Russas, onde foi construído o primeiro túnel rodoviário de Pernambuco, e erguer viadutos de dezenas de metros de altura em vários trechos.
Entregue a duplicação, ainda nos primeiros quatro anos de gestão de Jarbas, a auto-estima de nosso povo alcançou as alturas. Afinal, uma viagem até Caruaru que, na época de São João, chegava a demorar até seis horas, foi reduzida para no máximo uma hora e meia, mesmo na alta estação. Sem falar na tranquilidade de percorrer toda a sua extensão como se estivesse deslizando sobre um verdadeiro tapete.
Nada, porém, resiste à ação do tempo, ainda mais na 232, onde o tráfego de caminhões pesados é intenso. Seria necessário, portanto, um permanente trabalho de manutenção da estrada, coisa que, infelizmente, o atual governo nunca fez, apesar das cobranças da oposição na Assembléia. Sequer a capinação tem sido realizada a contento, levando o mato a invadir a pista em alguns locais, como se vivêssemos em uma terra abandonada.
O resultado de tudo isso pode ser visto hoje por quem trafega pela rodovia. Os problemas se acumulam e saltam aos olhos, pelo menos dos que usam transporte terrestre para ir ao interior, ou seja, a quase totalidade dos nossos habitantes.
O DER nem colocou as balanças que prometeu para pesagem dos caminhões, evitando que eles continuassem danificando a pista sem qualquer limite, nem tem feito os reparos com a responsabilidade exigida em tão importante obra, a maior de Pernambuco e considerada um eixo de desenvolvimento. Chegou-se ao cúmulo de fazer os consertos nas placas de concreto, que deveriam ser realizados com a substituição de toda a placa, com remendos de asfalto. Um verdadeiro horror.
Não há uma explicação convincente para o descaso. Se faltam recursos no estado e se o atual governador não tem má vontade com a obra que marcou a administração de Jarbas, não seria o momento de se pensar na privatização da 232, prática que tem sido usada em vários estados? Não tenho dúvida de que o governador contaria com a boa vontade da oposição para um projeto deste tipo, desde que comprovada a impossibilidade da atual administração de tomar as medidas necessárias para a recuperação da rodovia.
Embora importe no pagamento de pedágio, a privatização garantiria a permanência da obra e até o socorro imediato quando ocorressem acidentes, como acontece em todas as rodovias privatizadas do país.
O que não se justifica é a inoperância. Afinal, os milhões gastos na duplicação da 232, que levou o desenvolvimento para o interior, pertencem aos pernambucanos que, certamente, cobrarão em dobro no futuro quando a rodovia voltar a ficar parecida com a antiga que, não só emperrava Pernambuco, como envergonhava quem de bom senso por ela trafegasse.
Via Blog do Jamildo link

