21 de jan. de 2011

BR-232: abandono pode levar à privatização?



Por Terezinha Nunes, especial para o Blog de Jamildo

Um sonho dos pernambucanos, acalentado durante décadas, a duplicação da BR-232, no trecho Recife-Caruaru, foi realizada na gestão do então governador Jarbas Vasconcelos, cabendo ao atual governador, Eduardo Campos, a conclusão do segundo trecho, o que liga Caruaru a São Caetano.

Não é necessário falar das dificuldades para execução da obra que precisou rasgar a Serra das Russas, onde foi construído o primeiro túnel rodoviário de Pernambuco, e erguer viadutos de dezenas de metros de altura em vários trechos.

Entregue a duplicação, ainda nos primeiros quatro anos de gestão de Jarbas, a auto-estima de nosso povo alcançou as alturas. Afinal, uma viagem até Caruaru que, na época de São João, chegava a demorar até seis horas, foi reduzida para no máximo uma hora e meia, mesmo na alta estação. Sem falar na tranquilidade de percorrer toda a sua extensão como se estivesse deslizando sobre um verdadeiro tapete.

Nada, porém, resiste à ação do tempo, ainda mais na 232, onde o tráfego de caminhões pesados é intenso. Seria necessário, portanto, um permanente trabalho de manutenção da estrada, coisa que, infelizmente, o atual governo nunca fez, apesar das cobranças da oposição na Assembléia. Sequer a capinação tem sido realizada a contento, levando o mato a invadir a pista em alguns locais, como se vivêssemos em uma terra abandonada.

O resultado de tudo isso pode ser visto hoje por quem trafega pela rodovia. Os problemas se acumulam e saltam aos olhos, pelo menos dos que usam transporte terrestre para ir ao interior, ou seja, a quase totalidade dos nossos habitantes.

O DER nem colocou as balanças que prometeu para pesagem dos caminhões, evitando que eles continuassem danificando a pista sem qualquer limite, nem tem feito os reparos com a responsabilidade exigida em tão importante obra, a maior de Pernambuco e considerada um eixo de desenvolvimento. Chegou-se ao cúmulo de fazer os consertos nas placas de concreto, que deveriam ser realizados com a substituição de toda a placa, com remendos de asfalto. Um verdadeiro horror.

Não há uma explicação convincente para o descaso. Se faltam recursos no estado e se o atual governador não tem má vontade com a obra que marcou a administração de Jarbas, não seria o momento de se pensar na privatização da 232, prática que tem sido usada em vários estados? Não tenho dúvida de que o governador contaria com a boa vontade da oposição para um projeto deste tipo, desde que comprovada a impossibilidade da atual administração de tomar as medidas necessárias para a recuperação da rodovia.

Embora importe no pagamento de pedágio, a privatização garantiria a permanência da obra e até o socorro imediato quando ocorressem acidentes, como acontece em todas as rodovias privatizadas do país.

O que não se justifica é a inoperância. Afinal, os milhões gastos na duplicação da 232, que levou o desenvolvimento para o interior, pertencem aos pernambucanos que, certamente, cobrarão em dobro no futuro quando a rodovia voltar a ficar parecida com a antiga que, não só emperrava Pernambuco, como envergonhava quem de bom senso por ela trafegasse.

Via Blog do Jamildo link

7 de dez. de 2008

A culpada não é a mídia

Por Fernando Castilho

O debate sobre a redução (ou não) dos números da violência em Pernambuco, convém lembrar, é um tema recorrente e antigo. Dele se ocuparam vários governadores num período recente e o aprofundamento no noticiário não coincide (como se pode pensar), com o aumento da violência, mas foi provocado por ela.

Mas não devem as autoridades da SDS de Pernambuco imaginar que a Imprensa se ocupa dele porque esse ou aquele Governo tomou posse. Se ocupa dele porque o nível de violência tem aumentado e, em até certo nível, se bestalizado. Noutro ela ficou tão comum à realidade social que é possível se fotografar crianças brincando próximas a um corpo a espera do caminhão do Instituto de Criminalística porque a presença do "rabecão" tornou-se comum. E isso é notícia.

O que parece acontecer com as autoridades policiais de Pernambuco é a constatação de que, apesar de todo o aparato operacional, procedimentos e recursos que estão sendo aplicados os resultados não estão aparecendo. E isso é mesmo frustrante.

Todos os atuais gestores certamente imaginaram no começo da gestão Eduardo Campos que os números cairíam. Que decorridos dois anos - como serão completado daqui a poucos dias - teriam números robustos que apontariam uma queda forte. Afinal é para isso que vêm trabalhando.

Mas isso, como se sabe, não aconteceu. E será difícil cair nos níveis desejados pelos gestores pernambucanos. E não cairá em Pernambuco porque não cairá no Ceará, no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Esta questão senhores não é só de Pernambuco. O que não nos isenta de trabalha duro para isso.

Então porque a crise do Governo com a Imprensa? Talvez porque os dirigentes da SDS tenham acreditado excessivamente que poderiam fazer diferente. O texto do Pacto pela Vida é um belíssimo documento onde um observador atento será capaz de datá-lo como típico dos primeiros dias de uma gestão quando os sonhos estão à flor da pele de gente que nunca esteve no Governo. Mas como se sabe não tinha um só número que tentasse mensurar os custos financeiros.

Talvez devesse conter uma frase simples já na primeira página dizendo que seria permanentemente atualizado. Talvez declarando uma coisa simples: indignação do novo Governo com cada morte banal.

O erro do governo na questão talvez tenha sido não abrir a conversa reconhecendo a grandeza da tarefa de reduzir a violência em Pernambuco. E sua insatisfação com isso. De revelar que segurança custa caro para um estado com recursos reduzidos. De mostrar para o cidadão contribuinte que é preciso aumentar o risco do crime. Risco que como todo negócio aumenta ou diminui diante da presença da polícia. Em manter a idéia quase adolescente de querer vencer a violência brigando com a Mídia. Em Pernambuco, senhores, vai perder sempre.

Por isso talvez fosse recomendável ter, a partir de agora, a humildade de mostrar que cada morte evitada é uma conquista a ser comemorada pela sociedade. Queixar-se da mídia só aumenta a idéia que não estavam maduros para o enorme desafio que lhe foi confiado.

PS: Fernando Castilho, é jornalistas e assina a Coluna JC Negócios no Jornal do Commercio.

Blog de Jamildo

Oposição e entidades civis criticam 'falta de transparência' do Pacto

A ala dos contrários ao atual modelo do Pacto pela Vida foi encabeçada pelo deputado Augusto Coutinho (Democratas), autor da proposição que originou a audiência pública. O parlamentar criticou os índices de violência divulgados pelo Estado e a transparência do programa.

"Esses índices são de uma complicação que ninguém entende. Peço que o Governo tenha a coragem e determinação de retificar o Pacto e não esconder informação. Que o Doutor Ratton deixe a internet da sala dele para que todos tenham conhecimento das informações do programa", ironizou.

Na mesma linha, o jornalista do JC, Eduardo Machado, que representa o PEbodycount, defendeu que "se o plano foi construído por todos, precisa ser aberto a todos". Dados do contador de homicídios do blog, segundo Machado, apontam que os homicídios cresceram no segundo ano do Pacto.

O presidente da OAB-PE, Jayme Asfora, cobrou resposta a ofícios encaminhados ao Governo, e posteriormente ao Ministério Público, também solicitando informações detalhadas sobre as ações e orçamento do Pacto pela Vida. "Por que tanto desprezo pela sociedade civil? Por que não foi dada uma resposta a OAB?", questionou.
Fonte: Blog de Jamildo

24 de out. de 2008

Dengue cresce 372% no Recife

Casos confirmados da forma clássica da doença cresceram 372% entre 2007 e 2008, segundo balanço divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde.

Wagner Sarmento

wsarmento@jc.com.br

O número de casos confirmados de dengue cresceu 372% no Recife entre 2007 e 2008. Balanço divulgado, ontem, pela Secretaria Municipal de Saúde revelou que, do início de janeiro a 15 de outubro deste ano, foram comprovados 3.162 registros da doença, contra 670 no mesmo período do ano passado. As notificações sofreram aumento de 161%, passando de 3.233 para 8.453. O Ministério da Saúde (MS) alertou que os prognósticos para 2009 são ainda piores.

“O aumento se observou não só aqui, mas no Brasil todo. A cidade apresenta condições favoráveis para proliferação do mosquito. Os números só não foram maiores por causa das medidas que tomamos para frear o avanço da doença”, ponderou a secretária Tereza Campos.

Nos últimos meses, no entanto, os registros de pessoas acometidas por dengue têm caído. Em agosto, a PCR confirmou 36 casos. O número despencou para quatro em setembro. Até a semana passada, nenhum caso havia sido comprovado em outubro. A queda, porém, não permite comemorações, garantiu Tereza. “É natural essa tendência de redução. O aumento nos casos começa em janeiro e chega ao pico nos meses seguintes. No meio do ano, o índice cai”, explicou.

Segundo ela, os ovos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, duram até um ano e eclodem sobretudo no período do inverno, quando há maior alternância entre sol e chuva. “A gente não pode dar trégua ao mosquito. As ações precisam continuar. É preciso reforçar a importância da população nesse processo”, frisou.

A secretária municipal participou de duas reuniões recentes no MS para traçar estratégias de combate à dengue para o ano que vem. O Recife será uma das cidades contempladas com nova armadilha para capturar o mosquito adulto, chamada de mosquitrap. O ministério ainda vai definir quando os equipamentos chegarão à capital pernambucana e quais os bairros contemplados. Com 584 notificações este ano, a Várzea, Zona Oeste, lidera o ranking das localidades. Outro projeto federal a ser implementado no Recife é um novo teste que diagnostica a doença em 15 minutos e identifica o sorotipo em circulação.

“O cenário para o próximo ano é preocupante. Existem quatro tipos de vírus e um deles ainda não entrou no Brasil. Nada garante que ele não chegará. Temos que nos preparar. O cerco montado contra o mosquito tem que ser maior e o sistema de saúde precisa estar preparado para atender a população”, observou Tereza Campos.

A gerente de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Adriana Regina Lucena, disse que Pernambuco vai receber, ainda este mês, R$ 7,4 milhões do MS. O Estado tem 38 municípios na lista de prioridades do programa nacional de combate à dengue. “Já estamos traçando as estratégias para 2009. O momento é ideal. O ministério revelou que existe o risco de uma epidemia de dengue do tipo 2. Aqui há uma suscetibilidade grande. Com a identificação precoce de focos da doença, fica mais fácil vencer o problema”, declarou.

A cada 15 dias, a PCR promove a troca de 2,5 mil ovitrampas, armadilhas para coletar ovos do mosquito, espalhadas pela cidade. No bairro da Várzea, os agentes de saúde ambiental visitaram 295 residências. Ninguém da família da dona de casa Maria José Feitosa, 73 anos, contraiu dengue até hoje.

Consciente da importância da prevenção, a moradora da UR-7, na Várzea, faz sua parte. “A cisterna vive fechada. Afinal, quem não tem medo dessa doença?”, indagou. Ação realizada na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) eliminou 43 focos e 56 depósitos de dengue.

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/10/23/not_304595.php

Servidor denuncia que foi contaminado no IML

O auxiliar de legista Avanildo Gomes diz que corre risco de perder a visão após contrair infecção por trabalhar sem equipamentos essenciais. Outro funcionário pegou fungo e foi afastado das atividades.

Condições de trabalho precárias, funcionários sem receber adicional de insalubridade ou gratificação de risco de vida, profissionais afastados do emprego por problemas de saúde que eles garantem terem adquirido em serviço. Essa é a realidade do Instituto de Medicina Legal (IML), em Santo Amaro, área central do Recife. O caso extremo registrado na unidade foi o do auxiliar de legista Avanildo Bezerra Gomes, 51 anos, que corre o risco de perder a visão do olho direito por uma infecção contraída, segundo ele, por trabalhar sem os devidos equipamentos de proteção. Um outro auxiliar, Antônio Lourenço da Silva, também está afastado do serviço porque pegou um fungo no braço.

“Já fui ao hospital e disseram que era um fungo. Fui a outro médico e ele já falou que poder ser uma alergia”, disse Antônio Lourenço.

Avanildo Bezerra é mais incisivo. “Não vejo mais nada pelo olho direito. Tudo começou depois que uma mosca, que saiu de um corpo em decomposição voou direto para dentro do meu olho”, assegurou o auxiliar de legista.

O oftalmologista da Fundação Altino Ventura Diego Gadelha examinou o auxiliar de perícia Avanildo Bezerra. Segundo o médico, não se pode dizer que a causa da úlcera de córnea no paciente teria sido o contato com a mosca no IML.

“Não é possível afirmar exatamente o que pode ter causado a lesão e o quadro infeccioso no paciente. O que estamos fazendo agora é tratando o senhor Avanildo e aguardando a evolução do quadro para ver se ele vai voltar a enxergar normalmente ou se será preciso um transplante de córnea para que ele tenha a visão restabelecida”, informou o oftalmologista.

Os funcionários contratados no último concurso denunciam que trabalham sem receber o adicional de insalubridade e a gratificação de risco de vida. “Quando a gente estava na academia, falaram que teríamos as mesmas garantias dos policiais civis. Na verdade, a gente se expõe, entra nas comunidades mais violentas do Estado para recolher os corpos, não recebe gratificação e nem tem direito de andar armado”, denunciou um funcionário que pediu para não ser identificado.

O setor de corpos em putrefação do IML, conhecido como Coréia (uma referência à carnificina ocorrida na guerra EUA X Coréia do Norte, nos anos 50) é o alvo das maiores críticas dos funcionários.

“Não temos equipamentos adequados para manusear os cadáveres em decomposição. Faltam luvas, botas, aventais, óculos. Nem a máquina que serve para matar as moscas da sala funciona”, revelou outro servidor.

Não só no setor de necropsia há problemas. Ontem pela manhã, por exemplo, os usuários que procuraram o setor de traumatologia não receberam os laudos porque não havia tinta nas impressoras do IML.

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/10/24/not_304757.php