7 de dez. de 2008

A culpada não é a mídia

Por Fernando Castilho

O debate sobre a redução (ou não) dos números da violência em Pernambuco, convém lembrar, é um tema recorrente e antigo. Dele se ocuparam vários governadores num período recente e o aprofundamento no noticiário não coincide (como se pode pensar), com o aumento da violência, mas foi provocado por ela.

Mas não devem as autoridades da SDS de Pernambuco imaginar que a Imprensa se ocupa dele porque esse ou aquele Governo tomou posse. Se ocupa dele porque o nível de violência tem aumentado e, em até certo nível, se bestalizado. Noutro ela ficou tão comum à realidade social que é possível se fotografar crianças brincando próximas a um corpo a espera do caminhão do Instituto de Criminalística porque a presença do "rabecão" tornou-se comum. E isso é notícia.

O que parece acontecer com as autoridades policiais de Pernambuco é a constatação de que, apesar de todo o aparato operacional, procedimentos e recursos que estão sendo aplicados os resultados não estão aparecendo. E isso é mesmo frustrante.

Todos os atuais gestores certamente imaginaram no começo da gestão Eduardo Campos que os números cairíam. Que decorridos dois anos - como serão completado daqui a poucos dias - teriam números robustos que apontariam uma queda forte. Afinal é para isso que vêm trabalhando.

Mas isso, como se sabe, não aconteceu. E será difícil cair nos níveis desejados pelos gestores pernambucanos. E não cairá em Pernambuco porque não cairá no Ceará, no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Esta questão senhores não é só de Pernambuco. O que não nos isenta de trabalha duro para isso.

Então porque a crise do Governo com a Imprensa? Talvez porque os dirigentes da SDS tenham acreditado excessivamente que poderiam fazer diferente. O texto do Pacto pela Vida é um belíssimo documento onde um observador atento será capaz de datá-lo como típico dos primeiros dias de uma gestão quando os sonhos estão à flor da pele de gente que nunca esteve no Governo. Mas como se sabe não tinha um só número que tentasse mensurar os custos financeiros.

Talvez devesse conter uma frase simples já na primeira página dizendo que seria permanentemente atualizado. Talvez declarando uma coisa simples: indignação do novo Governo com cada morte banal.

O erro do governo na questão talvez tenha sido não abrir a conversa reconhecendo a grandeza da tarefa de reduzir a violência em Pernambuco. E sua insatisfação com isso. De revelar que segurança custa caro para um estado com recursos reduzidos. De mostrar para o cidadão contribuinte que é preciso aumentar o risco do crime. Risco que como todo negócio aumenta ou diminui diante da presença da polícia. Em manter a idéia quase adolescente de querer vencer a violência brigando com a Mídia. Em Pernambuco, senhores, vai perder sempre.

Por isso talvez fosse recomendável ter, a partir de agora, a humildade de mostrar que cada morte evitada é uma conquista a ser comemorada pela sociedade. Queixar-se da mídia só aumenta a idéia que não estavam maduros para o enorme desafio que lhe foi confiado.

PS: Fernando Castilho, é jornalistas e assina a Coluna JC Negócios no Jornal do Commercio.

Blog de Jamildo

Oposição e entidades civis criticam 'falta de transparência' do Pacto

A ala dos contrários ao atual modelo do Pacto pela Vida foi encabeçada pelo deputado Augusto Coutinho (Democratas), autor da proposição que originou a audiência pública. O parlamentar criticou os índices de violência divulgados pelo Estado e a transparência do programa.

"Esses índices são de uma complicação que ninguém entende. Peço que o Governo tenha a coragem e determinação de retificar o Pacto e não esconder informação. Que o Doutor Ratton deixe a internet da sala dele para que todos tenham conhecimento das informações do programa", ironizou.

Na mesma linha, o jornalista do JC, Eduardo Machado, que representa o PEbodycount, defendeu que "se o plano foi construído por todos, precisa ser aberto a todos". Dados do contador de homicídios do blog, segundo Machado, apontam que os homicídios cresceram no segundo ano do Pacto.

O presidente da OAB-PE, Jayme Asfora, cobrou resposta a ofícios encaminhados ao Governo, e posteriormente ao Ministério Público, também solicitando informações detalhadas sobre as ações e orçamento do Pacto pela Vida. "Por que tanto desprezo pela sociedade civil? Por que não foi dada uma resposta a OAB?", questionou.
Fonte: Blog de Jamildo

24 de out. de 2008

Dengue cresce 372% no Recife

Casos confirmados da forma clássica da doença cresceram 372% entre 2007 e 2008, segundo balanço divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde.

Wagner Sarmento

wsarmento@jc.com.br

O número de casos confirmados de dengue cresceu 372% no Recife entre 2007 e 2008. Balanço divulgado, ontem, pela Secretaria Municipal de Saúde revelou que, do início de janeiro a 15 de outubro deste ano, foram comprovados 3.162 registros da doença, contra 670 no mesmo período do ano passado. As notificações sofreram aumento de 161%, passando de 3.233 para 8.453. O Ministério da Saúde (MS) alertou que os prognósticos para 2009 são ainda piores.

“O aumento se observou não só aqui, mas no Brasil todo. A cidade apresenta condições favoráveis para proliferação do mosquito. Os números só não foram maiores por causa das medidas que tomamos para frear o avanço da doença”, ponderou a secretária Tereza Campos.

Nos últimos meses, no entanto, os registros de pessoas acometidas por dengue têm caído. Em agosto, a PCR confirmou 36 casos. O número despencou para quatro em setembro. Até a semana passada, nenhum caso havia sido comprovado em outubro. A queda, porém, não permite comemorações, garantiu Tereza. “É natural essa tendência de redução. O aumento nos casos começa em janeiro e chega ao pico nos meses seguintes. No meio do ano, o índice cai”, explicou.

Segundo ela, os ovos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, duram até um ano e eclodem sobretudo no período do inverno, quando há maior alternância entre sol e chuva. “A gente não pode dar trégua ao mosquito. As ações precisam continuar. É preciso reforçar a importância da população nesse processo”, frisou.

A secretária municipal participou de duas reuniões recentes no MS para traçar estratégias de combate à dengue para o ano que vem. O Recife será uma das cidades contempladas com nova armadilha para capturar o mosquito adulto, chamada de mosquitrap. O ministério ainda vai definir quando os equipamentos chegarão à capital pernambucana e quais os bairros contemplados. Com 584 notificações este ano, a Várzea, Zona Oeste, lidera o ranking das localidades. Outro projeto federal a ser implementado no Recife é um novo teste que diagnostica a doença em 15 minutos e identifica o sorotipo em circulação.

“O cenário para o próximo ano é preocupante. Existem quatro tipos de vírus e um deles ainda não entrou no Brasil. Nada garante que ele não chegará. Temos que nos preparar. O cerco montado contra o mosquito tem que ser maior e o sistema de saúde precisa estar preparado para atender a população”, observou Tereza Campos.

A gerente de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Adriana Regina Lucena, disse que Pernambuco vai receber, ainda este mês, R$ 7,4 milhões do MS. O Estado tem 38 municípios na lista de prioridades do programa nacional de combate à dengue. “Já estamos traçando as estratégias para 2009. O momento é ideal. O ministério revelou que existe o risco de uma epidemia de dengue do tipo 2. Aqui há uma suscetibilidade grande. Com a identificação precoce de focos da doença, fica mais fácil vencer o problema”, declarou.

A cada 15 dias, a PCR promove a troca de 2,5 mil ovitrampas, armadilhas para coletar ovos do mosquito, espalhadas pela cidade. No bairro da Várzea, os agentes de saúde ambiental visitaram 295 residências. Ninguém da família da dona de casa Maria José Feitosa, 73 anos, contraiu dengue até hoje.

Consciente da importância da prevenção, a moradora da UR-7, na Várzea, faz sua parte. “A cisterna vive fechada. Afinal, quem não tem medo dessa doença?”, indagou. Ação realizada na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) eliminou 43 focos e 56 depósitos de dengue.

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/10/23/not_304595.php

Servidor denuncia que foi contaminado no IML

O auxiliar de legista Avanildo Gomes diz que corre risco de perder a visão após contrair infecção por trabalhar sem equipamentos essenciais. Outro funcionário pegou fungo e foi afastado das atividades.

Condições de trabalho precárias, funcionários sem receber adicional de insalubridade ou gratificação de risco de vida, profissionais afastados do emprego por problemas de saúde que eles garantem terem adquirido em serviço. Essa é a realidade do Instituto de Medicina Legal (IML), em Santo Amaro, área central do Recife. O caso extremo registrado na unidade foi o do auxiliar de legista Avanildo Bezerra Gomes, 51 anos, que corre o risco de perder a visão do olho direito por uma infecção contraída, segundo ele, por trabalhar sem os devidos equipamentos de proteção. Um outro auxiliar, Antônio Lourenço da Silva, também está afastado do serviço porque pegou um fungo no braço.

“Já fui ao hospital e disseram que era um fungo. Fui a outro médico e ele já falou que poder ser uma alergia”, disse Antônio Lourenço.

Avanildo Bezerra é mais incisivo. “Não vejo mais nada pelo olho direito. Tudo começou depois que uma mosca, que saiu de um corpo em decomposição voou direto para dentro do meu olho”, assegurou o auxiliar de legista.

O oftalmologista da Fundação Altino Ventura Diego Gadelha examinou o auxiliar de perícia Avanildo Bezerra. Segundo o médico, não se pode dizer que a causa da úlcera de córnea no paciente teria sido o contato com a mosca no IML.

“Não é possível afirmar exatamente o que pode ter causado a lesão e o quadro infeccioso no paciente. O que estamos fazendo agora é tratando o senhor Avanildo e aguardando a evolução do quadro para ver se ele vai voltar a enxergar normalmente ou se será preciso um transplante de córnea para que ele tenha a visão restabelecida”, informou o oftalmologista.

Os funcionários contratados no último concurso denunciam que trabalham sem receber o adicional de insalubridade e a gratificação de risco de vida. “Quando a gente estava na academia, falaram que teríamos as mesmas garantias dos policiais civis. Na verdade, a gente se expõe, entra nas comunidades mais violentas do Estado para recolher os corpos, não recebe gratificação e nem tem direito de andar armado”, denunciou um funcionário que pediu para não ser identificado.

O setor de corpos em putrefação do IML, conhecido como Coréia (uma referência à carnificina ocorrida na guerra EUA X Coréia do Norte, nos anos 50) é o alvo das maiores críticas dos funcionários.

“Não temos equipamentos adequados para manusear os cadáveres em decomposição. Faltam luvas, botas, aventais, óculos. Nem a máquina que serve para matar as moscas da sala funciona”, revelou outro servidor.

Não só no setor de necropsia há problemas. Ontem pela manhã, por exemplo, os usuários que procuraram o setor de traumatologia não receberam os laudos porque não havia tinta nas impressoras do IML.

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/10/24/not_304757.php

Escola suspende aula e professor exige segurança

Depois que docente foi assaltada por ex-alunos, Escola Vidal de Negreiros, Afogados, foi fechada ontem e não terá atividades hoje. Clima é de pânico.

A violência nas escolas, exposta em três episódios ocorridos esta semana, deixou os professores acuados. Ontem, a Escola Estadual Vidal de Negreiros fechou as portas. Localizada em Afogados, Zona Oeste do Recife, a unidade teve uma das professoras vítima de seqüestro-relâmpago, anteontem. Entre os ladrões, dois ex-alunos. As aulas foram suspensas por medo. Não pela violência em si, mas por ela ter sido praticada contra educadores, pessoas que, na teoria, deveriam ser respeitadas.

“Paramos as aulas, pois é a forma de nos escutarem. Somos seres humanos sem ajuda. Alguém tem que olhar por nós. Estamos com medo e ninguém nos escuta”, disse a professora Maria de Lourdes Rodrigues, resumindo o sentimento dos outros docentes. Hoje, a intenção dos professores, diretores, pais e alunos da escola é manter as aulas suspensas. Só com a presença de policiais militares é que pretendem retomar as atividades na unidade.

Com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), planejam ir, pela manhã, à Secretaria Estadual de Educação, Centro do Recife, para cobrar segurança. Ontem, durante reunião entre docentes, diretores e pais, inclusive com a presença da professora vítima do seqüestro-relâmpago, disseram que a violência na unidade é denunciada desde 2005.

“Enviamos ofícios e até hoje nada foi feito. Drogas são vendidas livremente na frente da escola e só contamos com um porteiro, desarmado, que vive sendo ameaçado quando reprime qualquer coisa. Os dois PMs da Patrulha Escolar ficam na unidade apenas à noite, mas os problemas têm acontecido durante o dia. Não agüentamos mais. Só voltaremos a dar aula quando houver segurança”, afirmou a diretora da Vidal de Negreiros, Adjane Souza.

A Secretaria Estadual de Educação garantiu que a partir de hoje haverá reforço no policiamento. Uma dupla de PMs passará a atuar no local durante o dia. Uma equipe de psicólogos e assistentes sociais também será enviada.

Diferentemente da Vidal de Negreiros, nenhuma mobilização aconteceu nas duas escolas municipais que também foram alvo de atos violentos, só que direcionados a uma professora e a uma diretora, ocorridos na segunda e terça-feiras.

Na Escola Municipal Lojistas do Recife, no Curado I, Zona Oeste do Recife, uma professora foi agredida fisicamente pela mãe de uma aluna. A docente prestou queixa, mas não quis falar com a imprensa. Está recebendo apoio psicológico. Na Escola Municipal Mário Melo, em Campo Grande, Zona Norte da capital, uma diretora teve uma arma apontada para a cabeça pelo responsável por um aluno. Mesmo assustados, professores e diretores não quiseram falar.

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/10/24/not_304763.php


5 de set. de 2008

Crise na Saúde: Getúlio Vargas não atende ninguém

Continua a falta de atendimento no Hospital Getúlio Vargas (HGV). Hoje pela manhã diversas pessoas que foram em busca de atendimento tiveram que voltar para casa sem, pelo menos, ter visto um médico.
É o caso da agricultora Maria Magna. Ela saiu do município de Jatobá, no Sertão do Estado, ontem à tarde, para uma consulta com um reumatologista. Viajou durante mais de sete horas para ser atendida no HGV esta manhã e o que encontrou foram médicos parados. “É uma vergonha isso está acontecendo com a gente. Estou aqui desde a meia-noite e ninguém fala nada”, disse revoltada. “O hospital tem o número do telefone da gente e nem se quer nos ligaram para dizer que estava sem atendimento”, desabafou.
Vários pacientes aguardam, sem esperança, atendimento do lado de fora do hospital e denunciam os maus tratos e falta de estrutura. “Tem muita gente sendo atendida nos corredores, gritando de dor”, denunciou a costureira Denise de Oliveira.(Pernambuco.com)

3 de set. de 2008

Saúde: Médicos mantêm movimento e vão a Lula no Recife

Os médicos pernambucanos rejeitaram a proposta salarial do Governo do Estado e decidiram deixar os postos de trabalho nas emergências na sexta-feira. Esta decisão foi tomada na assembléia de ontem à noite no Teatro Waldemar de Oliveira.

“Vamos mostrar a nossa indignação e aproveitar a vinda de Lula para mostrar como se trata a Saúde em Pernambuco”, disse o presidente do Sindicato dos Médicos, Antônio Jordão, que duvida tenha o governo capacidade de suprir a ausência de quase 400 médicos que deixarão os cargos nas emergências, argumentando ainda que os hospitais de campanha que estão sendo usados como alternativa na crise são “tendas de circo, ridículos’’.

Os médicos fazem muita fé na presença do presidente Lula no Recife, e para isso vão se reunir quinta-feira para definir como será a ação de protesto na sexta-feira, perante o presidente. Um grande ato de protesto está sendo articulado para a ocasião.

20 de jun. de 2008

Motoristas em greve tomam chaves de ônibus e furam pneus

Por volta das 10h30 desta sexta-feira (20), um grupo formado por 20 a 30 motoristas de ônibus, que estão em paralisação de 24 horas desde a 0h, causou tumulto na Avenida Cruz Cabugá, em Santo Amaro, na Zona Norte do Recife.

Alguns ônibus que trafegavam no sentido cidade-subúrbio foram parados pelos manifestantes, que invadiam os coletivos, tomavam as chaves dos condutores e furavam os pneus dianteiros. A pista ficou interrompida.

Na confusão, um dos passageiros reagiu, criando princípio de tumulto. Um tiro foi dado para o alto, mas ainda não se sabe quem o disparou. Durante a confusão, sete ônibus foram parados e três deles tiveram os pneus furados.

O 16º Batalhão da Polícia Militar foi ao local para controlar a confusão. Segundo a polícia, os manifestantes pareciam alcoolizados. Eles não foram detidos. Esse mesmo grupo de motoristas teria, ainda nesta manhã, realizado o mesmo tipo de manifestação na Rua Siqueira Campos, no Centro do Recife.

A paralisação, decidida nessa quinta à noite, está prevista para terminar à meia-noite e deixa sem transporte um contingente de quase 1,7 milhão de pessoas no Grande Recife.

http://jc.uol.com.br/2008/06/20/not_172020.php

Motorista de ônibus faz greve de um dia

Após exaustiva negociação entre os Sindicatos das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Setrans) e dos Trabalhadores Rodoviários, realizada ontem à tarde no Ministério do Trabalho, no Espinheiro, Zona Norte do Recife, motoristas de ônibus, cobradores, fiscais de linha e mecânicos de coletivos resolveram cruzar os braços por 24 horas. Da 0h de hoje até a 0h de amanhã, não haverá circulação de ônibus na Região Metropolitana do Recife (RMR).

A categoria reivindica reajuste salarial de 12,8%, mas os donos de empresas ofereceram apenas 4%, divididos em duas vezes. A paralisação de advertência deve prejudicar aproximadamente 1,7 milhão de usuários que circulam todos os dias em coletivos do Grande Recife. Os motoristas informaram que os trabalhadores que furarem o movimento serão retirados à força dos ônibus.

Uma nova reunião entre os dois sindicatos deve acontecer na próxima quarta-feira. Se não houver avanço nas negociações, os trabalhadores prometem parar por tempo indeterminado.

Assim que decidiram pela greve de advertência, vários cobradores e motoristas de ônibus saíram em passeata, por volta das 18h40. Eles andaram pela Avenida Agamenon Magalhães até a Praça do Derby, rumaram para a Conde da Boa Vista até a Avenida Guararapes, onde o movimento foi dispersado. Houve grande congestionamento. ”Nosso movimento é pacífico. Estamos fazendo essa passeata para avisar à população e aos motoristas que não haverá ônibus na sexta-feira (hoje). Sabemos que isso ocasiona transtorno, mas não podemos ficar com esse reajuste irrisório”, disse Patrício Magalhães, presidente do Sindicato dos Rodoviários.

Durante a caminhada, o clima ficou tenso no cruzamento da Conde da Boa Vista com a Rua do Hospício. Um motorista de ônibus tentou dar a volta e gerou revolta dos manifestantes, que, por pouco, também não entraram em conflito com batedores da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU).

As opiniões de usuários que enfrentaram o congestionamento se dividiam, mas a maioria criticava o movimento. “Todos têm direito de reivindicar, mas eles precisam saber que vão prejudicar muita gente. Moro em Candeias (Jaboatão), trabalho no Espinheiro. Todos os dias, utilizo quatro coletivos. Meu patrão não vai querer saber que não tem ônibus, mas infelizmente não vou trabalhar”, reclamou a assistente administrativa Azenate Gomes. “Se não tiveram o aumento desejado, eles devem reivindicar mesmo. É bom que não vou trabalhar. Fico descansando”, disse uma auxiliar de enfermagem, que não quis ser identificada.

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/06/20/not_287044.php

18 de jun. de 2008

Mantida paralisação no Detran

Os servidores do Detran, em greve desde o dia 9 deste mês, decidiram manter a paralisação, após a realização de mais uma assembléia da categoria, durante a manhã de ontem. Após o resultado, os trabalhadores saíram em passeata pela Avenida Caxangá em protesto.

Ainda no dia de ontem, o governo do Estado publicou no Diário Oficial a Lei Complementar nº 116, que estabelece o Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) da categoria. Os manifestantes reivindicam, além do PCCV, um reajuste entre 10 e 15% nos salários e aumento no vale-refeição.

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/06/18/not_286726.php


16 de jun. de 2008

Médicos ameaçam paralisar atendimento no Hospital Getúlio Vargas

A superlotação na unidade de traumatologia do Hospital Getúlio Vargas (HGV), faz com que médicos ameacem paralisar o atendimento. Segundo Fábio Couto, traumatogista do HGV, a situação é emergencial, pois existem pacientes que estão internados embaixo de macas enquanto outros esperam por cirurgias há 42 dias. “Diariamente atendemos uma média de 220 pacientes, e hoje existem mais de 300. Desta forma não existem condições de trabalho.”

Os médicos deverão atender apenas aos casos mais graves que chegarem às emergências das unidades de saúde. Os demais serão encaminhados para outros postos de saúde de Região Metropolitana do Recife.

http://www.blogdafolha.com.br

15 de jun. de 2008

13 de jun. de 2008

Caos no Hospital Agamenom Magalhães

O setor de neonatologia e obstetrícia do Hospital Agamenon Magalhães (HAM) está funcionando com superlotação. As unidades funcionam como acompanhamento da evolução dos bebes sadios, como também daqueles que se encontram em situação de risco com patologias específicas.

O número necessário de médicos neonatologistas para funcionamento adequado na unidade são de 5, mas existem apenas 2 na escala, e 1 se encontra de férias. No hospital existem 12 leitos oficiais, mas atendem 19 pacientes que se alojam nas macas, no corredor, e em cadeiras, comprometendo o atendimento adequado.

Contato: Pedro Nóbrega - 99967.7422

Fonte: SIMEPE-Sindicato dos Médicos de Pernambuco
Av. João de Barros, 587 - Boa Vista - PE
Fones:(81)3316.2400

9 de jun. de 2008

Servidores do Detran em greve

Os servidores do Detran entram em greve por tempo indeterminado, a partir de hoje, em todo o Estado. Em assembléia realizada no último dia 4 de junho, os funcionários do órgão não aceitaram a proposta do governo de reajustar os salários em 5,04% e aumentar o valor do vale-refeição de R$ 6 para R$ 8. Com isso, serviços como transferência e matrícula de veículos e emissão da carteira nacional de habilitação (CNH) estão suspensos. O Detran tem 1.312 servidores e atende a uma média de 3,5 mil usuários por dia.

“Pedimos desculpas à população por causa da paralisação, mas não havia mais o que ser feito. Nem os atendimentos realizados nos shoppings center vão funcionar. Tentamos de todas as formas manter um diálogo com o governo do Estado, mas a proposta que eles fizeram não chegou nem perto do que os trabalhadores querem e precisam”, explicou Antônio Fernando Galvão Coelho, presidente da Associação dos Servidores do Detran. Coelho afirmou que os funcionários do órgão reivindicam aumento de 9,74%, em vez do reajuste de 5,04% proposto pelo governo, correção da tabela de pagamento para servidores mais antigos, aumento do valor do vale-refeição (de R$ 6 para R$ 12) e implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCC).
“O governo prometeu implantar o PCC em abril, mas até agora nada fez”, completou. Representantes dos servidores do Detran terão uma reunião, às 11h de hoje, com o secretário de Administração do Estado, Paulo Câmara, para tentar um acordo e encerrar a greve. ORIENTAÇÃO A assessoria de imprensa do Detran orienta os usuários com serviços agendados para hoje a ligar, a partir das 7h30, para o telefone 3453.1514. Esse procedimento é necessário para que eles se certifiquem se os serviços foram realmente suspensos e como devem proceder para remarcá-los.

Orla é alvo de assaltos freqüentes e comandante

Orla é alvo de assaltos freqüentes e comandantede batalhão da PM admite precisar de reforços.

No quesito segurança, nada mudou na orla de Boa Viagem depois da reforma que ampliou o calçadão e a ciclovia. A área é alvo de assaltos constantes. As vítimas, na maioria, são mulheres. Só nos últimos 20 dias, pelo menos cinco pessoas foram assaltadas no trecho já pronto da obra de revitalização – entre o Edifício Acaiaca e a entrada de Brasília Teimosa.

“Uma amiga já teve um celular roubado quando andava no calçadão e agora levaram minha bicicleta. Imaginava que a Avenida Boa Viagem fosse um local seguro”, diz a arquiteta Renata Komuro, 36 anos. O comandante do 19º Batalhão da PM, coronel Antônio Oliveira, responsável pela segurança do bairro, admite que o policiamento poderia ser reforçado. “Nós não temos efetivo suficiente para colocar mais policiais no calçadão de Boa Viagem e do Pina.
Fazemos o policiamento com viaturas e duplas de policiais. Mas deveria haver mais 10 duplas monitorando a avenida”, avalia sem, no entanto, revelar o efetivo atual para o serviço. Segundo ele, em janeiro deste ano, o 19º Batalhão recebeu reforço, mas 30% dos PMs já foram transferidos para outras unidades.
O comandante não sabe informar quando a unidade receberá mais policiais. Nos últimos dias, Boa Viagem tem sido palco de crimes de grande repercussão. No dia 19 do mês passado, troca de tiros na Rua Benvinda de Farias deixou uma pessoa morta – um encanador que trabalhava no local – e outras quatro feridas. No dia 1º deste mês, quatro jovens bloquearam um trecho do Viaduto Tancredo Neves, principal ligação entre as Zonas Oeste e Sul do Recife, para realizar assaltos.

7 de jun. de 2008

Delegada é assaltada e dupla leva viatura

Inalva Regina, titular da GPCA, trafegava em um veículo descaracterizado, com o filho de 12 anos, quando ocorreu a investida. Ela já tinha sido roubada, na rua onde mora, no Janga, em Paulista.

A delegada Inalva Regina, titular da Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA), foi assaltada, por volta das 13h de ontem, quando saía de casa, no Janga, em Paulista, Grande Recife, acompanhada do filho, de 12 anos, em uma viatura descaracterizada da Polícia Civil. Dois homens, estando um deles armado, abordaram o veículo e obrigaram a delegada e o filho a descer, levando o carro, um Polo prata de placa KKE-9075.

No automóvel estavam a pistola, um datashow e malas com roupas e documentos. Por volta das 19h30, a bolsa com os documentos foi localizada perto da Vila Olímpica, em Olinda.Essa é a segunda vez, em pouco mais de um ano, que Inalva Regina é assaltada na rua onde mora. Em 29 de maio de 2007, dois homens abordaram um agente da GPCA na frente da residência da delegada, quando este tinha acabado de deixá-la em casa após uma operação policial. Na ocasião, os bandidos também levaram uma viatura, um Gol prata de placa KHI-8577, um colete à prova de balas, uma pistola ponto 40 e uma jaqueta da polícia.

Ontem, Inalva Regina estava seguindo para Caruaru, no Agreste do Estado, onde daria plantão no fim de semana. Durante todo o mês de junho, a GPCA está realizando operação no Pátio do Forró, para coibir abusos contra crianças e adolescentes. “Tenho uma casa em Caruaru e resolvi levar meu filho para passar o final de semana lá. Ainda estava na minha rua (Rua Domingos da Costa), que por não ser asfaltada, está cheia de poças de água, devido às chuvas. Isso faz com que o motoristas trafeguem mais devagar. Foi nessa hora que fui abordada”, contou Inalva Regina, ainda abalada com o ocorrido.

A delegada afirmou que os bandidos abordaram-na sem saber que se tratava de uma autoridade policial. “Eles iriam abordar o primeiro carro que passasse. Por azar, foi o meu. Fiquei com medo por causa do meu filho. O rapaz que estava armado ficou batendo com o revólver no vidro do motorista, enquanto o outro foi para o banco de trás, abrir o carro”, relatou. Ela disse que o homem que estava armado era negro, forte, alto e tinha os cabelos cacheados.

Os bandidos fugiram com o carro em direção a Olinda. No bairro de Jardim Fragoso, assaltaram uma transeunte e voltaram a fugir com o Polo. “Desde o assalto, estamos monitorando para tentar localizar o veículo, mas ainda não conseguimos”, acrescentou.

SEGUNDA VEZ
No dia 29 de maio de 2007, por volta das 18h30, dois homens armados levaram uma viatura descaracterizada da frente da casa de Inalva Regina. “Havia acabado de entrar em casa e fechar o portão quando ouvi gritos de ‘deita no chão’. Voltei e vi dois homens armados e o agente da delegacia deitado no chão”, relembrou.

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/06/07/not_285142.php

6 de jun. de 2008

Ceará recebe o dobro de Pernambuco para saneamento

Da Folha Online

O Ceará é o Estado que mais se beneficiou das verbas de investimento da Funasa nos últimos cinco anos, informa nesta quinta-feira reportagem publicada pela Folha de São Paulo. Segundo a reportagem, de 2003 a 2007, foram R$ 298,91 milhões de um total de R$ 2,2 bilhões destinados a obras de saneamento básico - o valor é mais que o dobro do que recebeu Pernambuco (R$ 142 milhões) no mesmo período e superior aos R$ 217 milhões repassados para o Pará (R$ 93 milhões) e à Paraíba (R$ 124 milhões). Os dados constam de levantamento realizado pelo site Contas Abertas no Siafi (sistema de prestação de contas da União).

A reportagem informa que o documento chegou a ser publicado pela Funasa em seu site na internet, mas foi retirado em abril. À reportagem, o presidente da Funasa, Francisco Danilo Bastos Forte, que é cearense, disse que não vê ’problema o Ceará receber mais’ que os outros Estados. "O Ceará está encravado no semi-árido, tem todas as necessidades correspondentes às políticas de investimento, tem um histórico de programas para saneamento e já teve dois presidentes. Tudo isso é um somatório de vetores’, afirmou.

Já que o dinheiro é seu mesmo, não deixe de reclamar do aumento para os deputados

Com a desculpa esfarrapada de se "alinharem" aos deputados federais, os estaduais de Pernambuco aprovaram aumento em suas verbas de gabinete de R$ 9 mil para R$ 11,25 mil (leia nos posts abaixo). Como o Blog também é serviço, aí vão relacionados os emails dos nobres deputados para você protestar sem dó.

Quem sabe se com a caixa de mensagens lotada eles não recuperam o bom senso. Na relação também estão os únicos três parlamentares que não assinaram a proposta: Ceça Ribeiro (PSB), Maviael Cavalcanti (DEMOCRATAS) e Isabel Cristina (PT), suplente que deixa a Casa na próxima semana, com a volta de João da Costa (PT). Nestes casos, você pode mandar uma mensagem dando os parabéns.

aglailson_junior@alepe.pe.gov.br



















































4 de jun. de 2008

Jorge Gomes deixa a Saúde e lamenta não alcançar metas

No discurso de despedida da Secretaria de Saúde, pronunciado em solenidade agora há pouco no Palácio das Princesas, o ex-secretário Jorge Gomes lamentou não ter podido cumprir todas as metas estabelecidas para o setor. Ele disse que, o que não pôde fazer, não foi por culpa do governador Eduardo Campos, de quem garantiu ter recebido todo o apoio possível , mas sim por causa da máquina emperrada que prejudicou o funcionamento de novos projetos, prioridades do SUS, e carência de recursos humanos.

'Poucos na vida política e pessoal tiveram lealdade maior ao governador Miguel Arraes, a Eduardo Campos e ao PSB que eu', disse Jorge Gomes.

http://www.blogdomagno.com.br


29 de mai. de 2008

Servidores estaduais da Saúde decidem entrar em greve

Os servidores estaduais de Saúde decidiram entrar em greve por tempo indeterminado, a partir da próxima quarta-feira (4). A decisão foi tomada em assembléia realizada na manhã desta quinta-feira (29), no auditório do Hospital da Restauração, após a categoria rejeitar a proposta de reajuste oferecida pelo Governo do Estado.

Os cerca de 300 servidores que estiveram na assembléia não aceitaram a proposta do governo de reajustar os salários em 5% e decidiram aprovar a greve. Apesar da decisão, a paralisação terá início na quarta-feira para que haja tempo de mobilizar os servidores de todo o Estado.

Após a reunião, os servidores farão um ato público na Avenida Agamenon Magalhães, em frente ao Hospital da Restauração.

27 de mai. de 2008

Eis o nosso futuro!

Por Rodrigo Carvalho
No decorrer da semana que passou, mais precisamente na quinta-feira (23), o vigilante de uma farmácia, na Torre, Zona Oeste do Recife, atirou contra três crianças que praticavam furtos na localidade. Um dos garotos, de 12 anos, foi atingido por um tiro na perna esquerda. Os outros dois, com a mesma idade, foram levados para a Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA).

Na GPCA, os meninos (foto) admitiram os furtos. Não demonstraram arrependimento. Nas mãozinhas que imitam armas está o nosso futuro.
Por enquanto, elas só fazem alusão. Amanhã, certamente, portarão revólveres e pistolas reais. Algo há de ser feito por elas, urgentemente. Caso contrário, não terão outra alternativa: serão vítimas ou algozes da nossa violência diária.

Foto: Alexandro Auler/JCImagem

Atropelado por três tiros e entregue ao descaso

Por Eduardo Machado

Em maio do ano passado, a Secretaria de Defesa Social afirmou, por escrito, que o ex-presidiário José Carlos da Silva Santos havia morrido em um acidente de trânsito no dia 19 daquele mês.Era a tentativa de desacreditar uma lista de mortos em um fim de semana publicada pelo PEbodycount.

Apuramos o ocorrido com José Carlos e comprovamos que ele foi assassinado a tiros, no Conjunto Marcos Freire, em Jaboatão dos Guararapes.Outros dois casos de morte, também contestados pela SDS foram comprovados como assassinato.Um ano depois, retornei ao caso do ex-presidiário.

A Polícia Civil informou que o caso estava a cargo da Delegacia de Prazeres. Na delegacia, após uma busca nos arquivos, a pasta com o inquérito foi localizada embaixo de centenas de outras em um armário velho.

Tudo que a polícia fez a respeito foi juntar o boletim de ocorrência que registrou o assassinato do ex-presidiário à portaria de instalação do inquérito.

Isso mesmo. Um ano depois de dizer que o cidadão não havia sido executado, mas atropelado, nossas autoridades conseguiram produzir duas folhas de papel no inquérito.Para a família de José Carlos, assim como milhares de parentes de pernambucanos mortos todos os anos sobrou a resignação.

"Eu já entreguei a Deus", disse a mãe do rapaz, Cícera Maria da Silva, que eu encontrei no último dia 19, chorando e agarrada com duas fotos: a do filho morto e a do neto, filho de José Carlos de cinco meses, que ele nem chegou a conhecer.

http://www.pebodycount.com.br/


Domingos Ferreira: se era ruim, vai ficar pior

Os moradores da Zona Sul que enfrenta o dramático Corredor Leste-Oeste, na Boa Vista, vai penar ainda mais para chegar em casa. As duas faixas da Avenida Domingos Ferreira, em Boa Viagem, já foram interditadas desde as 7h, para obra de esgoto da Compesa. O inferno astral para o cidadão recifense vai durar 30 dias.

Se o trânsito já era um caos no local, vai ficar bem pior.

Sem rotas de fuga, resta apenas a Mascarenhas de Moraes. Porém, para chegar lá o motorista vive um outro drama, além do congestionamento: os assaltos. Realmente, o problema do trânsito será um dos principais motes de campanha este ano para os candidatos à Prefeitura do Recife.

26 de mai. de 2008

Cadê a polícia?

Santa Maria da Boa Vista viveu momentos de terror, sexta-feira passada, com um arrastão. Armados, bandidos assaltaram o comércio e saquearam caminhões na BR. A polícia ficou imóvel, pois não tinha uma só viatura à sua disposição, segundo revela o prefeito Leandro Duarte.

http://www.blogdomagno.com.br



22 de mai. de 2008

Facções rivais assustam moradores

A atuação de grupos criminosos em comunidades da Capital pernambucana, vem preocupando a polícia. Nos últimos três dias foram registrados, pelo menos, três tiroteios em comunidades localizadas na área central e na Zona Sul. Dois deles ocorreram na Ilha do Destino, em Boa Viagem, e tiveram como protagonistas, segundo a polícia, integrantes de facções diferentes de uma mesma quadrilha.
O resultado das trocas de tiros foi dois mortos - o encanador Luís Gonzaga da Silva Filho, de 56 anos, na segunda-feira; e o foragido da Penitenciária Agro-Industrial São João (PAISJ) Flávio Alves, 21, na terça-feira - e um ferido. O outro tiroteio, na tarde da última terça, no bairro de Santo Amaro, deixou duas pessoas feridas. O policiamento do bairro continua sem alterações. Em Boa Viagem, o Batalhão de Radiopatrulha voltou a ajudar no policiamento do bairro.

A polícia acredita que os casos registrados nos últimos dias fazem parte de ações isoladas. Porém, para o tenente-coronel Antônio Oliveira, comandante do 19º Batalhão de Polícia Militar (BPM), responsável pelo policiamento do bairro da Zona Sul, a disputa pelo comando do tráfico de drogas motiva a maioria das investidas. “Nosso serviço reservado, junto com a Delegacia de Boa Viagem, já conseguiu identificar pelo menos cinco pessoas que participaram das ações na Ilha do Destino. Só falta pegá-los”, declarou.

Na manhã de ontem, uma denúncia anônima informou que estaria havendo mais um tiroteio na comunidade - o terceiro em três dias. Duas viaturas foram acionadas, porém, nada foi constatado. O coronel acredita que o fato foi uma tentativa de causar pânico à população. Outro bairro da Zona Sul com grande número de casos de criminalidade é o Ibura, onde, segundo Oliveira, o policiamento vem dando certo. “Temos dez viaturas espalhadas pelo Ibura e Jordão que, junto a Polícia Civil, atua de maneira ostensiva. Em Boa Viagem, a partir de hoje (ontem) a Radiopatrulha está voltando às ruas”, disse.

Em Santo Amaro, duas pessoas saíram feridas de um tiroteio na tarde de anteontem. A polícia acredita que o fato também foi praticado por gangues que disputam a liderança do tráfico de drogas. Entretanto, não é apenas aquele bairro que sofre com a ação de bandos rivais. As comunidades do Coque e dos Coelhos também recebem atenção redobrada da polícia. Segundo comandante do 16º BPM, Paulo Cabral, responsável pelo policiamento desses bairros, existem duas operações que abrangem as comunidades.

“Começamos a registrar e mapear as ocorrências nesses locais e lançamos duas ações. A primeira delas é a Contra Resposta, que são duas viaturas que atuam 24 horas por dia na área. Ainda temos o Grupo de Operações Táticas Temporárias Avançadas (Gotta), que trabalha nos dias que consideramos mais críticos”, explicou. O comandante ainda acrescentou que, nos próximos dias, se reunirá com representantes da Polícia Civil para traçar um plano de metas de atuação.

Quadrilha faz arrastão na Conde da Boa Vista

Pelo menos 20 pessoas tiveram objetos roubados durante um arrastão, anteontem à noite, no Centro do Recife. O fato aconteceu por volta das 23h, na Avenida Conde da Boa Vista, uma das principais vias da cidade. Vítimas acionaram a Polícia Militar que chegou ao local e conseguiu deter seis pessoas, entre elas cinco adolescentes com idades entre 14 e 17 anos. Um sétimo suspeito conseguiu fugir.

O arrastão teve início no cruzamento da Conde da Boa Vista com a Rua Gervásio Pires. Sem portar objetos cortantes, facas ou armas de fogo, os jovens teriam roubado bonés, relógios e carteiras porta-cédulas.

De acordo com os policiais militares que participaram da operação para prender os acusados, várias chamadas foram realizadas para o Centro Integrado de Operações de Defesa Social (Ciods).
“Recebemos duas chamadas do local e já fomos para lá. Encontramos os suspeitos correndo e ainda conseguimos pegar seis deles. Um fugiu. Mas não é de hoje que esse grupo faz arrastão naquela área”, afirmou o soldado Gervásio da Silva. Segundo ele, mais de 20 pessoas tiveram objetos roubados durante o arrastão.

O único maior de idade do grupo foi o garoto de programa Idinei José Gomes de Oliveira, 18 anos. Ele foi autuado em flagrante por furto e formação de quadrilha no plantão da Delegacia de Santo Amaro e depois encaminhado ao Centro de Triagem (Cotel), em Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife.

Na delegacia, ele negou o crime. “Não fiz arrastão nenhum. Quem fez foram os menores. Disse para eles não fazerem isso. Fiquei só olhando”, garantiu. Ele assegurou que estava no local porque faz programa em frente a uma boate na Conde da Boa Vista.

Os policiais militares levaram os cinco jovens para a Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA). Lá, o grupo também negou participação no arrastão e explicou por que correu da polícia.
“Um cara passou numa moto falando besteira, ameaçando a gente. Aí a polícia chegou. Saímos correndo com medo que os policiais fizessem alguma coisa de ruim com a gente. Mas não fizemos arrastão em lugar nenhum”, comentou um dos adolescentes.

Os jovens foram levados ao Ministério Público de Pernambuco e de lá seguiram para unidades da Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac), onde ficam à disposição da Justiça.

12 de mai. de 2008

Superlotação e tumulto na emergência do HGV

Médicos e pacientes reclamam de tratamentos desumanos
Na emergência, 186 deram entrada desde às 7h. Homem foi entubado sentado.

Por Tiago Barbosa. Foto: Marcos Pastich

“A medicina é impraticável aqui”. O que leva um médico a afirmar categoricamente a impossibilidade de exercer seu ofício? A resposta está na situação vista, ontem, na emergência do Hospital Getúlio Vargas (HGV), na Caxangá, no Recife. O número insuficiente de profissionais para atender os pacientes se somou à ausência de uma estrutura adequada para acomodar a demanda e produziu um cenário desumano: doentes à espera de atendimento ou recebendo assistência no chão, corredores intransitáveis e demora de horas para a elaboração de diagnósticos. De um lado, profissionais se desdobrando para garantir assistência a todos. Do outro, pessoas expostas a improvisos forçados pela precariedade. Imagem fornecida por um plantonista dimensiona o problema: um senhor de 51 anos com dificuldades respiratórias chegou a ser entubado enquanto estava sentado em uma cadeira de rodas porque não havia macas para deitá-lo - ele acabou falecendo.


Às 16h, o HGV registrava que 186 pacientes haviam dado entrada na emergência desde às 7h. Painel exibido próximo ao posto policial dava conta de que a ocupação do dia anterior era de 146 e de que a capacidade estava fixada em 60 pessoas. Um médico-plantonista - que preferiu manter a identidade sob sigilo - disse à Folha que não havia sequer espaço para passagem dos doentes. “Há filas duplas de maca, pessoas deixadas no chão. Se alguém precisar chegar ao médico não consegue”, observou. A quantidade de profissionais, segundo ele, abaixo do necessário, pôs em risco os atendimentos. Segundo o plantonista, apenas um auxiliar de enfermagem estava encarregado de controlar a medicação e prestar assistência a mais de 50 pacientes. A carência também se tornou obstáculo, acrescentou, para a reposição de material. “Não temos máscaras, gaze, produtos básicos. Não tem quem os reponha, já que os que fariam isso estão sobrecarregados. Sentimos falta de enfermeiros e auxiliares por aqui”.


No plantão, havia três cirurgiões, dois ortopedistas, quatro clínicos-gerais e dois cirurgiões vasculares. Segundo o profissional entrevistado pela Folha, uma quantia aquém do ideal. “Precisaríamos, no mínimo, do dobro de cirurgiões, de clínicos e do triplo de ortopedistas”, afirmou. O plantão não contava com a presença de neurocirurgiões. “Se aparecesse alguém com um acidente vascular cerebral (AVC), acidente crânio-encefálico ou traumatismo crânio-encefálico grave, não teríamos como atender”, frisou.


A denunciada falta de funcionários obrigou parentes a prestar por conta própria o socorro aos familiares. Muitos se sentavam no chão da emergência para oferecer ajuda, em meio à agonia dos pacientes e à superlotação dos corredores. Apesar de crítico, o quadro não surpreendeu o plantonista. “O que vemos hoje, na verdade, está um pouco além do usual, que já é caótico. Já atendi baleados no chão. E, quando digo no chão, é no chão mesmo, e não sobre um lençol. Revolta o governo dizer que a saúde está boa. O hospital está desmoronando”, declarou. À noite, o Raio X da unidade quebrou.



Familiares vivem horas de angústia

Em meio aos problemas enfrentados pelo hospital e à agonia dos pacientes, a angústia. Familiares sofriam na recepção a ansiedade de aguardar notícias sobre seus parentes e a dor do desejo irrealizado de vê-los receber o tratamento adequado. “É um absurdo o que passamos aqui”, disse o sargento do Corpo de Bombeiros David da Silva. O irmão dele, Lenildo Pereira da Silva, de 49 anos, acidentou-se de moto em Caruaru, no Agreste, e viveu uma peregrinação.
“Fomos do Hospital Regional do Agreste para o Hospital da Restauração, de lá, fomos transferidos para o HGV, às 23h (de anteontem). Disseram que não havia espaço aqui (HGV). Voltamos para o HR e, depois, para cá, às 3h. Até às 9h, não sabíamos se ele ia ser operado. Agora (16h), não sabemos do que lhe ocorreu”, queixou-se. Enice Borges Pinto também reclama da demora. A irmã dela, Astrogilda Muniz, 80, quebrou a perna e foi levada ao Getúlio às 13h. “Só vieram lhe dar uma injeção para dor depois de horas”.
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) enviou uma nota à Folha.
O texto diz que “apesar da sobrecarga dos pacientes nos finais de semana, causada pelo fechamento das policlínicas e serviços de pronto-atendimento municipais nos sábados, domingos e feriados, o HGV vem atendendo normalmente os pacientes, com prioridade para os casos mais graves”. A SES informou que já está autorizada pela Secretaria de Administração a contratar 272 profissionais para o HGV e Hospital Otávio de Freitas. O edital deve ser publicado em junho deste ano.

9 de mai. de 2008

Delegado do Grupo de Operações Táticas é assaltado em Carpina, onde mora. Não é a primeira vez.

O delegado do Grupo de Operações Táticas (GOT, no Espinheiro) da Polícia Civil, João Gaspar Souza, que teve o carro roubado por dois assaltantes na manhã desta sexta-feira (9), em Carpina, na Zona da Mata Norte, já havia sido baleado, ano passado, na perna, quando chegava à casa do pai, no bairro do Cajé, na mesma cidade de Carpina, onde mora sua família.


Licitação milionária da bilhetagem eletrônica da EMTU volta a ser contestada, já na fase de habilitação

Na quarta-feira, sob o título Começa disputa pela bilhetagem, o colunista Fernando Castilho, de Economia, tratou por alto dos problemas na licitação da bilhetagem eletrônica.

Escreveu o seguinte: Começou, na comissão especial de licitação da EMTU para a concorrência da bilhetagem eletrônica do Sistema de Transporte Público de Passageiros da RMR, o confronto pelo contrato de serviço de quatro anos. Foram habilitadas a Tacom, APB Prodata, Dataprom, DWA, M.I. Montreal, Trends e Empresa 1. Em tese, essas empresas estariam aptas a apresentar a proposta técnica no próximo dia 12. Mas vai haver recursos já na fase administrativa. O contrato de licitação tem um valor de referência de R$ 7,7 milhões.

Comento: Como ocorre sempre com uma licitação milionária, já há uma lista de supostas irregularidades levantadas pelos concorrentes nessa primeira fase da licitação, referente à habilitação das empresas.

Segundo fontes com acesso ao processo, a Comissão Especial de Licitação da EMTU teria aprovado a participação de licitantes que não atendem às exigências definidas pelo edital para a fase de licitação da CP 001/2008-CEL. São documentos básicos e necessários a qualquer licitação.

Durante a publicação do resultado de habilitação, a Comissão Especial de Licitação da EMTU / Recife teria cumprido com a lei e não expôs os fundamentos nos quais a decisão é apoiada, o que pode anular a decisão.

São exemplos de irregularidades apontadas, a aceitação de atestados de experiência para a qualificação técnica sem qualquer pertinência com o objeto da licitação, habilitação de empresa que não comprovou regularidade com a Fazenda Pública Federal, nem junto à Seguridade Social (INSS), habilitação de empresa que não apresentou certidão negativa de recuperação extrajudicial, além de habilitação de empresa que apresentou certidão de regularidade com a Fazenda Municipal vencida, aceitação de declaração de visita técnica realizada antes da publicação do edital e habilitação de empresa que deixou de apresentar prova de regularidade com a Fazenda Estadual de Pernambuco.

A conferir.

Na foto: Dilson Peixoto, presidente da EMTU.

http://jc.uol.com.br/blogs/blogdejamildo/index.php


8 de mai. de 2008

Pacto pela Vida completa um ano sem atingir meta

O Pacto pela Vida, principal aposta do governo Eduardo Campos para combater a violência no Estado, completa um ano sem atingir a principal meta: reduzir em 12% o número de homicídios em Pernambuco. A comparação utilizada pelo governo, que leva em conta o período entre maio de 2006 e abril de 2007 e maio de 2007 e abril de 2008, aponta uma redução em torno de 7%.

A retração no número de assassinatos não é inédita no Estado. De acordo com números oficiais da Secretaria de Defesa Social (SDS), desde 1999, por cinco vezes, a taxa de assassinatos por 100 mil habitantes apresentou queda de um ano para outro.


Em 2002 e 2004, por exemplo, Pernambuco experimentou reduções até maiores do que a registrada agora, 7,6% e 8,4% respectivamente. O governador Eduardo Campos declarou, há uma semana, durante o VII Fórum de Governadores do Nordeste, em Alagoas, que a retração apresentada neste ano quebrava uma série histórica de elevação das taxas.

Em entrevista a uma emissora de televisão, em rede nacional, há duas semanas, foi mais específico ao afirmar que, nos últimos dez anos, o número de homicídios em Pernambuco nunca havia caído. “Depois de mais de dez anos de homicídios só subindo em Pernambuco, estamos caindo em 8%”, assegurou.

O balanço oficial da SDS mostra o contrário. Em 1999 e 2000 foram registradas duas reduções seguidas, de 5,6% e 2,5%. Um ano depois, o percentual aumentou 8,6%. Em 2002, o índice caiu 7,6% e voltou a subir 1,6% em 2003. Em 2004, o Estado alcançou uma diminuição de 8,4%, a maior desde 1999. Nos dois anos seguintes, os índices apresentaram elevação de 5,7% e 2,8%.

Este ano, o Estado resolveu, para efeito comparativo, considerar os dados só a partir de maio, mês referência de lançamento do Pacto pela Vida. Se for considerado o período de janeiro a dezembro, como era realizado em todos os anos anteriores, a redução é de 2% de 2006 para 2007.

AVALIAÇÃO

O professor do departamento de Ciências Administrativas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em planejamento estratégico Wilson Magela considera que, mais importante do que a redução, é o Estado apontar os motivos que levaram à diminuição de 7%. “Não adianta reduzir o número de homicídios e não saber o porquê desta queda. Este é o principal desafio.”

Em relação ao não cumprimento da meta, o professor informou que ela pode ter sido superestimada ou então ocorrido algum erro durante a execução do plano. “Planejamento é algo dinâmico. Todos os dias, por exemplo, você sai de casa e faz o mesmo caminho em seu carro. Você pode fazer um planejamento de quanto vai gastar de gasolina. Mas pode ocorrer uma batida e você pegar uma carona. Todo planejamento apresenta os limites máximos e mínimos.”

Magela defende um debate amplo. “É importante fazer um checklist. É preciso verificar as metas que foram cumpridas e as que deixaram de ser”, informou. O professor destaca que o estudo da oscilação das taxas de homicídios nos últimos anos é de extrema importância para atingir melhores resultados no futuro. “É preciso saber o que aconteceu nos anos que houve redução.”

7 de mai. de 2008

Um ano do “Pacto Pela Vida”: a radiografia de um governo em disfunção

Por Breno Rocha

Ao completar um ano da implantação, ou melhor dizendo, do anúncio do Plano Estadual de Segurança Pública (PESP), também denominado de “Pacto Pela Vida”, toda a sociedade – excitada, principalmente, pelo interesse jornalístico – aguarda a avaliação do Governo sobre o não cumprimento do principal compromisso assumido; qual seja, a meta da redução em 12% dos homicídios em Pernambuco. Isto é, a sociedade aguarda o “mea-culpa” do Executivo acerca do não cumprimento sobre o que havia pactuado.

Não obstante a “meta” estabelecida constituir-se, pelo menos nos primeiros doze meses de vigência do “Pacto”, num estandarte da política de segurança pública do Governo, o conjunto das medidas anunciadas no documento divulgado há um ano é, por si mesmo, um importante referencial para a avaliação sobre a sincronia ou o assincronismo entre o comando do Executivo e seus órgãos operativos. Tomando por analogia o corpo humano, os membros (braços e pernas), por exemplo, precisam ser capazes de, em condições normais, cumprir o determinado pelo cérebro. Caso contrário, as eventuais disfunções devem ser urgentemente investigadas, a fim de que se detecte o motivo e se determine o tratamento adequado. São essas “disfunções” que podem ser visualizadas através do PESP, como se esse fosse uma verdadeira “ultra-sonografia” do “corpo político-administrativo” do Governo Eduardo.

Mantendo a analogia com a medicina, observemos, então, a “especialidade” que nos compete: o Sistema Penitenciário, para o qual, o Pacto Pela Vida estabeleceu as seguintes metas a serem cumpridas ao longo de SEIS MESES (a partir do seu lançamento):

Equipar unidades prisionais, com substituição de armamento letal por não letal em 80% no interior das unidades prisionais: ao contrário, além de não haver, mesmo no prazo de um ano, ou seja, duas vezes o prazo estabelecido, qualquer investimento em equipamentos para unidades prisionais, ainda, desviou-se 85 mil munições do Sistema Penitenciário (adquiridas ainda no governo anterior) para que se viabilizasse a formação dos PMs concursados, tirando-se, deste modo, do mais pobre para suprir ao mais rico; como fosse um Robin Hood às avessas;

Aperfeiçoar o atendimento sócio-educativo: não houve, ao longo desse ano, nenhuma atividade, ação, iniciativa, etc., visando o aperfeiçoamento sócio-educativo no âmbito do Sistema Penitenciário. Nesse mister, o Sistema Penitenciário, pós PESP, restringiu-se, de forma geral, a manutenção das atividades que vinham sendo desenvolvidas desde o governo anterior;

Compor quadro de servidores da Secretaria de Ressocialização e estimular a valorização profissional através da implantação do plano de cargos, carreiras e vencimentos: Ou seja, pactuou, o governo com a sociedade pernambucana, que EM SEIS MESES a partir o lançamento do PESP “comporia o quadro de servidores” e isto quer dizer: realizaria CONCURSO PÚBLICO; e IMPLANTARIA o PCCV. Não fez uma coisa, nem outra...;

Atualizar o Código Penitenciário Estadual: mesmo sendo uma ação puramente burocrática, o Governo não foi capaz de cumpri-la; nem muito menos demonstra interesse em fazê-lo. De fato, uma iniciativa conjunta entre Ministério Público (através do Centro de Apoio Operacional as Promotorias de Justiça de Defesa da Cidadania) a ONG Serviço Ecumênico nas Prisões e o Sindicato dos Agentes e Servidores no Sistema Penitenciário, abriu a discussão no sentido da atualização do referido código através da realização do fórum de debates sobre o tema, que já aglutina uma dezena de entidades da sociedade civil e do judiciário, interessadas na problemática;

Formar e capacitar os servidores do sistema prisional para atuarem com foco no processo de ressocialização com base na valorização dos Direitos Humanos: não houve, ao longo desse ano, nenhuma capacitação neste sentido ministrada aos servidores do Sistema Penitenciário;

Implantação da Escola Penitenciária para capacitar servidores públicos e disponibilizar formação específica na área do conhecimento penitenciário, bem como a instalação do núcleo de pesquisa sobre o sistema penitenciário: a implantação da Escola Penitenciária foi tão negligenciada que transformou-se num escândalo governamental, quando, através da imprensa, no ano passado, a administração atual e a anterior trocaram acusações sobre a culpa pela perda dos recursos federais para a instalação da “dita cuja”. A administração atual chegou, inclusive, a realizar um evento de lançamento da Escola Penitenciária, num hotel em Boa Viagem, com a presença de Juizes, Diretores do DEPEN, funcionários, etc., mas, de fato, foi só dinheiro público escorrido pelo ralo, pois, a Escola não existe; muito menos o “núcleo de pesquisas” que, sequer, tem previsão de existir;

Priorizar a educação e profissionalização de egressos e detentos: assistimos, na verdade, a maior incidência de rebeliões no período de doze meses, da história de Pernambuco; a maior fuga em massa do norte-nordeste no COTEL e a maior mortalidade de presos em ocorrências violentas do Sistema Penitenciário: só no Aníbal Bruno, no ano de 2007, foram assassinados em disputas internas 63 presos; média de 5, 25 homicídios DENTRO DE UMA UNIDADE PRISIONAL por mês.

Como vemos, então, os fatos apontam para uma clara disfunção do aparelho político-administrativo do Governo Eduardo. No que se refere ao Sistema Penitenciário, o órgão operativo não foi capaz, em um ano, de executar nenhuma das muito modestas metas estabelecidas pelo Executivo para serem cumpridas em seis meses.

Além disso, os indícios colhidos na averiguação do que está PACTUADO entre o Governo e a sociedade e o que o próprio governo vem anunciando para o Sistema Penitenciário, demonstra que o PESP vem sendo desvirtuado daquilo que se havia firmado como compromisso entre Governo e “Sociedade Civil”.

Quando subscreve, junto com a Sociedade Civil, um documento no qual se compromete em construir, ao longo de três anos, “duas penitenciárias (uma de regime fechado e outra de regime semi-aberto) e um Hospital Penitenciário de Custódia e Tratamento Penitenciário (sic) na região metropolitana do Recife, com capacidade para 400 pessoas cada” (PESP, pág. 78), os quais funcionarão em regime de “administração compartilhada” com a(s) Prefeitura(s) e que terão na “iniciativa privada” o “apoio técnico” e, unilateralmente, apresenta, em substituição ao anteriormente pactuado, o projeto de um “Carandiru Pernambucano”, que invés de 400 presos, comportará 3.500, e será administrado exclusivamente por empresas que obtém lucro com a prisão de seres humanos, o Governo não apenas está desrespeitando o próprio “pacto”, mas convertendo-o em fraude; em abuso à confiança dos que com ele sentaram para elaborar o documento que, ao cabo de um ano, apenas demonstra sua incapacidade de cumprir os compromissos por ele mesmo estabelecidos.


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