24 de out. de 2008

Escola suspende aula e professor exige segurança

Depois que docente foi assaltada por ex-alunos, Escola Vidal de Negreiros, Afogados, foi fechada ontem e não terá atividades hoje. Clima é de pânico.

A violência nas escolas, exposta em três episódios ocorridos esta semana, deixou os professores acuados. Ontem, a Escola Estadual Vidal de Negreiros fechou as portas. Localizada em Afogados, Zona Oeste do Recife, a unidade teve uma das professoras vítima de seqüestro-relâmpago, anteontem. Entre os ladrões, dois ex-alunos. As aulas foram suspensas por medo. Não pela violência em si, mas por ela ter sido praticada contra educadores, pessoas que, na teoria, deveriam ser respeitadas.

“Paramos as aulas, pois é a forma de nos escutarem. Somos seres humanos sem ajuda. Alguém tem que olhar por nós. Estamos com medo e ninguém nos escuta”, disse a professora Maria de Lourdes Rodrigues, resumindo o sentimento dos outros docentes. Hoje, a intenção dos professores, diretores, pais e alunos da escola é manter as aulas suspensas. Só com a presença de policiais militares é que pretendem retomar as atividades na unidade.

Com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), planejam ir, pela manhã, à Secretaria Estadual de Educação, Centro do Recife, para cobrar segurança. Ontem, durante reunião entre docentes, diretores e pais, inclusive com a presença da professora vítima do seqüestro-relâmpago, disseram que a violência na unidade é denunciada desde 2005.

“Enviamos ofícios e até hoje nada foi feito. Drogas são vendidas livremente na frente da escola e só contamos com um porteiro, desarmado, que vive sendo ameaçado quando reprime qualquer coisa. Os dois PMs da Patrulha Escolar ficam na unidade apenas à noite, mas os problemas têm acontecido durante o dia. Não agüentamos mais. Só voltaremos a dar aula quando houver segurança”, afirmou a diretora da Vidal de Negreiros, Adjane Souza.

A Secretaria Estadual de Educação garantiu que a partir de hoje haverá reforço no policiamento. Uma dupla de PMs passará a atuar no local durante o dia. Uma equipe de psicólogos e assistentes sociais também será enviada.

Diferentemente da Vidal de Negreiros, nenhuma mobilização aconteceu nas duas escolas municipais que também foram alvo de atos violentos, só que direcionados a uma professora e a uma diretora, ocorridos na segunda e terça-feiras.

Na Escola Municipal Lojistas do Recife, no Curado I, Zona Oeste do Recife, uma professora foi agredida fisicamente pela mãe de uma aluna. A docente prestou queixa, mas não quis falar com a imprensa. Está recebendo apoio psicológico. Na Escola Municipal Mário Melo, em Campo Grande, Zona Norte da capital, uma diretora teve uma arma apontada para a cabeça pelo responsável por um aluno. Mesmo assustados, professores e diretores não quiseram falar.

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/10/24/not_304763.php


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