24 de out. de 2008

Servidor denuncia que foi contaminado no IML

O auxiliar de legista Avanildo Gomes diz que corre risco de perder a visão após contrair infecção por trabalhar sem equipamentos essenciais. Outro funcionário pegou fungo e foi afastado das atividades.

Condições de trabalho precárias, funcionários sem receber adicional de insalubridade ou gratificação de risco de vida, profissionais afastados do emprego por problemas de saúde que eles garantem terem adquirido em serviço. Essa é a realidade do Instituto de Medicina Legal (IML), em Santo Amaro, área central do Recife. O caso extremo registrado na unidade foi o do auxiliar de legista Avanildo Bezerra Gomes, 51 anos, que corre o risco de perder a visão do olho direito por uma infecção contraída, segundo ele, por trabalhar sem os devidos equipamentos de proteção. Um outro auxiliar, Antônio Lourenço da Silva, também está afastado do serviço porque pegou um fungo no braço.

“Já fui ao hospital e disseram que era um fungo. Fui a outro médico e ele já falou que poder ser uma alergia”, disse Antônio Lourenço.

Avanildo Bezerra é mais incisivo. “Não vejo mais nada pelo olho direito. Tudo começou depois que uma mosca, que saiu de um corpo em decomposição voou direto para dentro do meu olho”, assegurou o auxiliar de legista.

O oftalmologista da Fundação Altino Ventura Diego Gadelha examinou o auxiliar de perícia Avanildo Bezerra. Segundo o médico, não se pode dizer que a causa da úlcera de córnea no paciente teria sido o contato com a mosca no IML.

“Não é possível afirmar exatamente o que pode ter causado a lesão e o quadro infeccioso no paciente. O que estamos fazendo agora é tratando o senhor Avanildo e aguardando a evolução do quadro para ver se ele vai voltar a enxergar normalmente ou se será preciso um transplante de córnea para que ele tenha a visão restabelecida”, informou o oftalmologista.

Os funcionários contratados no último concurso denunciam que trabalham sem receber o adicional de insalubridade e a gratificação de risco de vida. “Quando a gente estava na academia, falaram que teríamos as mesmas garantias dos policiais civis. Na verdade, a gente se expõe, entra nas comunidades mais violentas do Estado para recolher os corpos, não recebe gratificação e nem tem direito de andar armado”, denunciou um funcionário que pediu para não ser identificado.

O setor de corpos em putrefação do IML, conhecido como Coréia (uma referência à carnificina ocorrida na guerra EUA X Coréia do Norte, nos anos 50) é o alvo das maiores críticas dos funcionários.

“Não temos equipamentos adequados para manusear os cadáveres em decomposição. Faltam luvas, botas, aventais, óculos. Nem a máquina que serve para matar as moscas da sala funciona”, revelou outro servidor.

Não só no setor de necropsia há problemas. Ontem pela manhã, por exemplo, os usuários que procuraram o setor de traumatologia não receberam os laudos porque não havia tinta nas impressoras do IML.

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/10/24/not_304757.php

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