A atuação de grupos criminosos em comunidades da Capital pernambucana, vem preocupando a polícia. Nos últimos três dias foram registrados, pelo menos, três tiroteios em comunidades localizadas na área central e na Zona Sul. Dois deles ocorreram na Ilha do Destino, em Boa Viagem, e tiveram como protagonistas, segundo a polícia, integrantes de facções diferentes de uma mesma quadrilha.
O resultado das trocas de tiros foi dois mortos - o encanador Luís Gonzaga da Silva Filho, de 56 anos, na segunda-feira; e o foragido da Penitenciária Agro-Industrial São João (PAISJ) Flávio Alves, 21, na terça-feira - e um ferido. O outro tiroteio, na tarde da última terça, no bairro de Santo Amaro, deixou duas pessoas feridas. O policiamento do bairro continua sem alterações. Em Boa Viagem, o Batalhão de Radiopatrulha voltou a ajudar no policiamento do bairro.
A polícia acredita que os casos registrados nos últimos dias fazem parte de ações isoladas. Porém, para o tenente-coronel Antônio Oliveira, comandante do 19º Batalhão de Polícia Militar (BPM), responsável pelo policiamento do bairro da Zona Sul, a disputa pelo comando do tráfico de drogas motiva a maioria das investidas. “Nosso serviço reservado, junto com a Delegacia de Boa Viagem, já conseguiu identificar pelo menos cinco pessoas que participaram das ações na Ilha do Destino. Só falta pegá-los”, declarou.
Na manhã de ontem, uma denúncia anônima informou que estaria havendo mais um tiroteio na comunidade - o terceiro em três dias. Duas viaturas foram acionadas, porém, nada foi constatado. O coronel acredita que o fato foi uma tentativa de causar pânico à população. Outro bairro da Zona Sul com grande número de casos de criminalidade é o Ibura, onde, segundo Oliveira, o policiamento vem dando certo. “Temos dez viaturas espalhadas pelo Ibura e Jordão que, junto a Polícia Civil, atua de maneira ostensiva. Em Boa Viagem, a partir de hoje (ontem) a Radiopatrulha está voltando às ruas”, disse.
Em Santo Amaro, duas pessoas saíram feridas de um tiroteio na tarde de anteontem. A polícia acredita que o fato também foi praticado por gangues que disputam a liderança do tráfico de drogas. Entretanto, não é apenas aquele bairro que sofre com a ação de bandos rivais. As comunidades do Coque e dos Coelhos também recebem atenção redobrada da polícia. Segundo comandante do 16º BPM, Paulo Cabral, responsável pelo policiamento desses bairros, existem duas operações que abrangem as comunidades.
“Começamos a registrar e mapear as ocorrências nesses locais e lançamos duas ações. A primeira delas é a Contra Resposta, que são duas viaturas que atuam 24 horas por dia na área. Ainda temos o Grupo de Operações Táticas Temporárias Avançadas (Gotta), que trabalha nos dias que consideramos mais críticos”, explicou. O comandante ainda acrescentou que, nos próximos dias, se reunirá com representantes da Polícia Civil para traçar um plano de metas de atuação.


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