31 de mar. de 2008

Chacina deixa 4 jovens mortos

Sobrevivente conta que oito pessoas se encontravam numa casa, no bairro do Curado I, em Jaboatão, quando foram surpreendidas por um bando armadoQuatro jovens foram assassinados a tiros, por volta das 23h do último sábado, no Curado I, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. De acordo com um dos sobreviventes, que terá seu nome preservado por motivo de segurança, a chacina foi cometida por quatro criminosos ainda não identificados.

As vítimas estavam reunidas na casa de uma amiga, situada na Travessa São Lucas, quando foram rendidas e mortas pelos bandidos. Dois deles usavam capuzes pretos e estavam armados com revólveres calibre 38 e pistolas. O crime teria sido cometido por causa de uma briga entre o namorado dessa mulher, conhecido apenas como Anderson, e o bando.


Além de Anderson, morreram Val, Paulo Roberto e Zílton Silva Barros, 27 anos, o único que teve todos os dados identificados até o fechamento desta edição, às 21h de ontem. Os corpos das outras vítimas, que aparentam ter idades entre 16 e 20 anos, permaneciam no Instituto de Medicina Legal (IML), em Santo Amaro, área central da capital.


De acordo com o sobrevivente, oito pessoas estavam na sala do imóvel na hora da chacina. “Eles chegaram com Anderson, já rendido e amarrado pelos braços. Mandaram os homens e as mulheres se separarem, começaram a pedir dinheiro e já foram atirando”, lembrou.


Três das vítimas – Zílton, Val e Anderson – morreram dentro da casa. Paulo Roberto ainda tentou fugir, mas foi baleado ao tentar subir num pé de azeitona, situado ao lado do imóvel.


FUGA

“Eles tinham brigado com Anderson e acabaram matando as outras pessoas, porque elas estavam na casa da namorada dele. Éramos todos conhecidos. Não sabíamos dessa história de Anderson com os criminosos”, disse o sobrevivente, acrescentando que pulou uma das janelas para escapar dos tiros.
“Fugi por um bueiro, no meio do mato. Estou todo arranhado e um deles me bateu na cabeça. Não morri por pouco. Pulei bem na hora que eles começaram a atirar. Foi muita bala”, contou, lembrando que Zílton ainda foi humilhado antes de morrer.


“Um dos bandidos pediu dinheiro e ele disse que não tinha. Só que, quando o cara botou a mão no bolso dele, encontrou R$ 1,50. Ele ficou enfurecido e começou a atirar em sua direção, dizendo que ele estava mentindo.”


O sobrevivente da chacina contou que foi obrigado a ficar de cueca. “Ele mandou eu tirar a bermuda para ver se eu tinha dinheiro. Bateram nas meninas também. Foi horrível”, relatou.
O caso foi registrado pela Força-Tarefa de Homicídios e deverá ser investigado pela Delegacia de Cavaleiro ou pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Essa foi a segunda chacina registrada em Jaboatão dos Guararapes em menos de 15 dias.


No dia 18 de março, outros quatro adolescentes também foram assassinados a tiros, na Vila Sotave, em Prazeres. Vingança é uma das hipóteses levantadas para o crime. As vítimas eram apontadas por moradores da área como assaltantes. As famílias afirmaram desconhecer o envolvimento delas com o crime.

29 de mar. de 2008

Assessor de Comunicação da SDS diz ser melhor falar com bandidos do que com jornalistas

Aprendi cedo que jornalismo que não incomoda não é jornalismo. Os garotos foram além e criaram até ONG para cobrar a redução da violência.

O assessor de comunicação da Secretaria de Defesa Social, Joaquim Netto, fez uma declaração no mínimo profundamente infeliz na mesa-redonda Mídia e Segurança Pública, durante o II Encontro Anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que acontece no Recife.

Ao pedir a palavra, Netto, que estava na platéia, disse que, em Pernambuco, alguns repórteres são “maquiavélicos.”

“Às vezes, é melhor falar com bandidos do que falar com alguns jornalistas.”

Quem assistiu à palestra, conta que o constrangimento entre os presentes foi visível diante das declarações.

Além do repórter do JC e editor do blog PEbodycount Carlos Eduardo Santos, participavam da mesa o editor de Cidades do jornal O Globo (RJ), Jorge Barros, as pesquisadoras Silvia Ramos (RJ) e Maria Stela Grossi (Brasília).

Na platéia, havia cerca de 40 pessoas, entre elas as secretárias de Segurança Pública da Bahia e do Maranhão e o chefe da Polícia Civil de Minas Gerais. Mesmo correndo o risco de ser acusado de corporativista, sinto a obrigação de dar um testemunho público.

Cada governo deve saber o que é melhor para si. Isto inclui a escolha de seus interlocutores preferenciais, sejam jornalistas ou qualquer outra categoria, profissional ou não.
Netto acerta quando ressalva que nem todo jornalista é bandido, mas esquece de dizer que há bandidos que sequer jornalistas o são.

Pilantragem não precisa de carteira na DRT, mas não faltam pilantras em busca de uma, para ganharem status de jornalista.

O secretário de Comunicação do Estado, Evaldo Costa, deveria vir a público dizer se concorda ou não com os ataques aos jornalistas pernambucanos.

Não surpreende essa arrogância, em tempos em que o próprio presidente da República, já veio a público para reclamar da imprensa livre, um dos pilares de qualquer democracia do mundo.

O curioso é que, nos tempos da ditadura, em que Joaquim Netto foi forjado como repórter, uma declaração destas de uma autoridade pública ensejaria demissão sumária.

Com zero de saudades daquele tempo de chumbo, o Blog dá vivas ao ambiente democrático que se respira.

Aproveita para dizer que Cacá e os demais colegas do JC e Body Count são excelentes jornalistas, fruto, já em segunda geração, da profissionalização que o Sistema Jornal do Commercio imprimiu à mídia local, desde o início dos anos 90.

Se todos os bandidos deste Estado fossem como esses jovens, Pernambuco nunca precisaria de um Pacto pela Vida.

Fórum Permanente de Combate à Corrupção é criado em Pernambuco

Em reunião realizada na sede da Procuradoria Regional da República da 5ª Região, no Recife, representantes de diversas instituições e órgãos públicos aprovaram a criação efetiva do Fórum Permanente de Combate à Corrupção em Pernambuco.

O fórum pretende discutir e implementar a otimização do combate à corrupção no Estado, especialmente nos casos de desvios de recursos públicos, como, por exemplo, o aprofundamento de parcerias nas investigações e o compartilhamento de bancos de dados e informações disponíveis em cada um dos órgãos públicos.

Pretende, também, desenvolver mecanismos de fomento e apoio à participação da sociedade civil organizada na fiscalização da aplicação do dinheiro público, através de audiências públicas e eventos realizados nos municípios do interior.

O termo de compromisso de cooperação entre os participantes do fórum será assinado no próximo encontro, marcado para o dia 25 de abril na sede da CGU (Controladoria Geral da União). Na ocasião, serão apresentados todos os bancos de dados disponíveis em cada um dos órgãos públicos, bem como as formas de compartilhamento de informações úteis para o combate à corrupção no estado.

Nesse encontro, será discutida ainda a unificação dos projetos desenvolvidos por vários órgãos públicos, como Controladorias Gerais da União e do Estado e Tribunais de Contas da União e do Estado, para incentivar o controle social do dinheiro público e a educação voltada para a cidadania, em Pernambuco, no campo específico do combate à corrupção.

Serão realizadas reuniões mensais nas sedes dos órgãos que integram o fórum, em sistema de rodízio. O encontro desta sexta-feira foi organizado pelo MPF (Ministério Público Federal) – representado pela Procuradoria Regional da República da 5ª Região e pela Procuradoria da República em Pernambuco –, pela CGU e pelo TCU (Tribunal de Contas da União) em Pernambuco.

Integração Segundo o procurador regional da República Fábio George Cruz da Nóbrega, o problema da corrupção no Brasil precisa ser enfrentado de forma conjunta e articulada, com a participação não apenas dos órgãos públicos, mas também da iniciativa privada, das instituições de educação e ensino, dos veículos de comunicação e da sociedade civil em geral.

De acordo com informações da Procuradoria Geral da República, o Fórum Permanente de Combate à Corrupção em Pernambuco segue as experiências de movimentos de combate à corrupção que já estão sendo desenvolvidas nos estados da Paraíba (Focco - Fórum Paraibano de Combate à Corrupção), do Rio Grande do Norte (Marcco - Movimento Articulado de Combate à Corrupção) e do Ceará (Fórum de Articulação Integrada de Controle dos Gastos Públicos), que contam com apoio decisivo de grande parte dos órgãos públicos citados.

28 de mar. de 2008

Preço do gás natural no Estado sobe novamente, afetando indústrias e taxistas

Passa a vigorar a partir de 1º de abril o reajuste médio de 3,83% nas tarifas praticadas pela Companhia Pernambucana de Gás (Copergás).

Após análise dos dados financeiros, contábeis e comerciais fornecidos pela concessionária, a diretoria da Arpe resolveu homologar o reajuste correspondente ao impacto do aumento de 5,85% no preço da commodity, imposto pela Petrobras, para todos os segmentos de mercado atendidos pela Copergás.

A decisão será publicada no Diário Oficial desta segunda-feira (31).

http://www.blogdejamildo.com.br

27 de mar. de 2008

Zerou?

Os fornecedores do Estado começam a sentir que o caixa deixado pelo governo passado zerou. A Copergás, por exemplo, já tem faturas atrasadas com a Petrobras e a Compesa não paga em dia seus parceiros comerciais.

24 de mar. de 2008

A violência cresce sem parar em Pernambuco

Sem comentários...

Os números da violência estão numa escala crescente no Estado.

Fonte: PE Body Count


Feriadão com 41 homicídios

Os crimes ocorreram da 0h de quinta até as 6h de ontem, em todo o Estado. Hoje, a Secretaria de Defesa Social (SDS) vai divulgar o balanço oficial.

A violência não deu trégua durante o feriado da Semana Santa. Em Pernambuco, da 0h da quinta-feira até as 6h de ontem, 41 pessoas foram assassinadas. Desse total, 28 casos ocorreram na Região Metropolitana do Recife. Os demais aconteceram em municípios da Zona da Mata, Agreste e Sertão do Estado. A Secretaria de Defesa Social (SDS) divulga, hoje, o balanço oficial de homicídios.

O levantamento parcial obtido a partir de dados do Instituto de Medicina Legal (IML) aponta que o Sábado de Aleluia foi dia mais violento do feriadão, registrando quase metade das ocorrências. Dezoito pessoas foram assassinadas. O corretor de imóveis Natanael Alves de França, 48 anos, está entre as vítimas. A família acredita na hipótese de crime premeditado. “Alguém ligou pedindo para que ele fosse até uma casa que estava vendendo”, comentou o taxista José Fernando de França, 50, irmão do corretor. Natanael foi encontrado morto a tiros na residência, na Rua Sempre Viva, em Candeias, Jaboatão dos Guararapes, na RMR.

“Acredito que foi uma emboscada”, frisou a professora Luciene Alves de França, 35, irmã da vítima. A Força-Tarefa de Homicídios da Polícia Civil realizou o levantamento do caso, que deve ser investigado pela Delegacia de Piedade. No mesmo dia, desconhecidos executaram o agricultor Edvaldo Henrique da Silva, 38 anos, no bairro Bela Vista, em Surubim, no Agreste. “Não sei quem fez isso. Ele não mexia com ninguém”, lamentava a doméstica Josefa Henrique, 48, que ontem aguardava a liberação do corpo do marido no Instituto de Medicina Legal (IML), no Recife.

Nas primeiras horas do Domingo de Páscoa, ocorreram cinco homicídios, conforme dados coletados pelo site PEbodycount. O estudante Leonardo Francisco da Silva, 18, foi assassinado, na madrugada de ontem, na Madalena, Zona Oeste do Recife, quando saiu de uma festa e retornava para casa com um grupo de amigos. O jovem residia na Vila Santa Luzia, na Torre. Familiares alegam que o rapaz morreu durante uma tentativa de assalto. “Não temos muitas informações. Só sei que meu irmão foi morto quando estava saindo de um show de pagode”, declarou Leandro Francisco da silva, 21. O sepultamento da vítima aconteceu, na tarde de ontem, no Cemitério da Várzea.

Na manhã de ontem, o intenso movimento no IML denunciava a violência do feriado. A dona de casa Angelita Lopes de Lima, 43, era uma pessoas que pacientemente aguarda a liberação de corpos. O filho dela, Antônio Pereira da Silva Júnior, 17, executado na tarde do último sábado, em Boa Viagem, na Zona Sul da capital. “Ele estava sendo ameaçado de morte”, resigna-se a mãe, lembrando que o pai da vítima também havia sido assassinado.

A Secretaria de Defesa Social informou que divulgará hoje o número de homicídios contabilizados das 0h de quinta-feira até a meia noite de ontem. Conforme o assessor de imprensa da SDS, Joaquim Netto, os assassinatos ocorridos na quinta-feira serão contabilizados, uma vez que o governo do Estado decretou feriado para o servidores estaduais.



23 de mar. de 2008

Semana Santa: 32 mortos em Pernambuco

Por Rodolfo Bourbon e Vinicius Araújo / Folha de Pernambuco

Um sábado de Aleluia onde as palavras morte, dor e medo contrastaram com orações e clamores de fé. Em média, um homicídio a cada uma hora e 15 minutos. Foram 19 mortes. Mais da metade do número de assassinatos de toda Semana Santa - das 22h da última quinta-feira até às 14h de ontem -, 32 pessoas perderam a vida, vítimas da violência que impera em Pernambuco. Jovens de 20 a 30 anos da Região Metropolitana do Recife (RMR) continuaram sendo o principal alvo da criminalidade.

No entanto, adultos e menores de 18 anos também foram atingidos, inclusive, pela expansão da marginalidade no Interior do Estado, principalmente nos municípios do Agreste. Em 2007, o Instituto de Medicina Legal (IML) notificou 28 mortes na RMR, sete a mais do que neste ano.

Os criminosos da RMR estão cada vez mais ousados. Lúcio Flávio de Oliveira Santos, de 16 anos, foi alvejado, às 13h15, com cerca de seis tiros de revólver calibre 38 na cabeça a apenas 200 metros de distância da delegacia de Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes. Ele estava caminhando, na última sexta-feira, pela calçada do estacionamento de um armazém, na avenida Júlio Maranhão, em Prazeres, quando foi alvejado. Não se sabe se ele estava sozinho no momento da ação dos bandidos.

O Núcleo Sul de Força-Tarefa da Delegacia de Homicídios acredita que a morte do jovem tem característica de execução. Segundo o órgão, no momento do assassinato, ele tentou fugir, mas foi encurralado. A polícia não tem pistas dos suspeitos.

Segundo um amigo da família, que preferiu não se identificar, o jovem não estudava e era suspeito de cometer assaltos pelas redondezas. “O crime deve estar relacionado a esses fatores. O pai dele, por exemplo, está, provavelmente, bebendo neste momento e não está se importando com a morte do filho”, afirmou.

As escolas do medo

Casos de violência se multiplicam na rede pública de ensino, gerando um ambiente de insegurança. O terror, muitas vezes, é imposto pelos próprios alunos

Por Ciara Carvalho
ciara@jc.com.br

Esqueça os baixos salários. A repetência. A evasão. As escolas públicas de Pernambuco estão padecendo de um problema que extrapola o mundo das letras. A violência invadiu a sala de aula.

Pior. Está sendo gerada dentro dela. Alunos têm espalhado medo e até morte num ambiente que deveria ser de educação. Qual o limite entre a indisciplina e a delinqüência? É um limite que um cadeado não consegue impor. Na Escola Vila João de Deus, em Prazeres, Jaboatão dos Guararapes, professores e alunos se trancam para tentar barrar a violência.

O portão, que dá acesso às salas de aula, só é aberto na hora do intervalo. Nem assim a insegurança fica do lado de fora. Há 10 dias, alunos quebraram o quadro de energia, estouraram bombas e geraram pânico na unidade. Lá, como em várias escolas visitadas pelo JC, no Grande Recife, professores, diretores e alunos vivem reféns do medo. Um terror gerado por vândalos vestidos de farda e com mochila nas costas.

A situação não é recente, mas tem piorado a cada dia. E já chegou ao absurdo de estudantes estarem sendo aprovados na lei da marra. Professores afirmaram, e diretores confirmaram, que estão “passando” os alunos, com medo de sofrer represálias. São jovens que faltam as aulas o ano inteiro e, no fim do semestre, fazem ameaças para não serem reprovados. O depoimento de uma diretora de uma escola estadual é surpreendente. “Na semana passada, uma mãe de uma aluna esteve na minha sala, exigindo que a filha fosse colocada no turno da noite porque seria mais fácil aprová-la. Sei que ela anda com matadores e não pude fazer outra coisa, senão transferi-la. Pode ter certeza que a estudante será aprovada porque nenhum professor terá coragem de enfrentar essa situação.”

Em outra escola, a reportagem ouviu o relato de uma professora que, mesmo envergonhada, admitiu ter aprovado um aluno do 1º ano, para tentar se livrar dele. “Estamos apavorados. São delinqüentes fardados. Alguns andam armados. No ano passado, fui ameaçada de morte por um estudante. Não vou perder a vida por uma escola que os alunos não têm mais respeito. Quem vai nos proteger na sala de aula? E fora dela? O melhor é fechar os olhos”, declara.

É a falência do ensino, já tão cambaleante pelas suas próprias mazelas. Uma realidade que a Secretaria Estadual de Educação admite: embora não seja generalizada, é verdadeira. “Temos informações de que isso está acontecendo, de que, por medo, professores estão aprovando alunos. Estamos estudando os casos para analisar como vamos agir”, afirma a secretária-executiva de Desenvolvimento da Educação, Aída Monteiro. O problema tem tomado uma dimensão tão grande que a secretaria pretende, este ano, fazer uma capacitação para preparar professores e diretores a enfrentar a violência vinda de fora e de dentro do colégio. A tarefa não é fácil.

A Escola Estadual Maria Emília Estelita, em Ouro Preto, em Olinda, ainda não se recuperou do trauma que viveu, há cerca de 20 dias, quando o vigilante da unidade foi assassinado por dois alunos. Foi um episódio extremo de violência numa rotina diária de insegurança. Freqüentemente, a escola era invadida por pessoas que pulavam o muro para usar drogas nas dependências da unidade ou via alunos ameaçarem outros de morte. A resposta foi pontual. Após a tragédia, dois policiais militares foram colocados no colégio, nos turnos da tarde e da noite. Uma tranqüilidade aparente. A direção diz que outros alunos, com perfil violento, continuam na unidade de ensino. E não há como expulsá-los. Como disse um professor da escola: “o que resta agora é apelar para Deus e para a sorte para que nada mais aconteça.”

O desabafo

Sou uma pessoa totalmente frustrada e assustada com a minha profissão. Não consegui colocar em prática tudo o que aprendi nos anos de faculdade. E hoje me deparo com uma sala de aula cheia de alunos que não dão a mínima para o que estou dizendo. Só querem saber de drogas, apagar as luzes da escola, quebrar as bancas, destruir o próprio ambiente deles. Nós, professores, estamos acuados na própria sala de aula. Ao tentar passar algo de bom, vem sempre a pergunta: ‘professora, para que estudar? Se eu não vou ter oportunidades? Quanto a senhora ganha para estar aí? Meu pai é alcoólatra, mataram meu irmão e eu só quero a Bolsa-Escola’. É o que eu escuto todos os dias.

E o que eu vejo é ainda pior. Dou aula com medo para jovens que eu deveria estar ensinando a serem cidadãos. Como resgatar esses meninos? Com quem contar? Só conto comigo mesmo. E, às vezes, caio num vazio existencial porque os anos se passam, mudam-se os governos, inventam novos projetos e a qualidade de vida minha e de meus alunos só piora. Diante de tanta dificuldade, ou desisto da profissão ou me acomodo. É mais do que um sentimento de incompetência. A sensação é de fracasso. Infelizmente, me sinto incapaz de resolver tudo isso que jogaram na minha mão. Por onde começar?”

Depoimento de uma professora de uma escola estadual submetida à violência diária.

22 de mar. de 2008

Mais de 2 mil carros foram roubados no Recife em 2008

Até 18 de março, a polícia registrou 2.043 ocorrências desse tipo. Cerca de 49% dos casos ocorreram em dez bairros do Recife.

Do G1, em São Paulo, com informações do pe360graus/Globo Nordeste

A maioria dos carros foi usada em assaltos. Cerca de 49% dos casos ocorreram em dez bairros do Recife.

Entre os que registraram o maior número de ocorrências estão Boa Viagem, Cordeiro, Ipsep, Casa Amarela, Iputinga e Imbiribeira. De acordo com a secretaria de Defesa Social, só em 2007 foram roubados ou furtados em Pernambuco 9.811 veículos. Deste número, 7.518 veículos foram roubados na Região Metropolitana do Recife.

Atualmente, mais de dois mil carros encontrados pela polícia estão guardados no pátio da delegacia especializada de Repressão aos Roubos e Furtos de Veículos. A maioria dos veículos tem cadastro no Detran.A comerciante Fátima Pinheiro foi roubada duas vezes, no mesmo local, num intervalo de três meses.

"Quando fui na delegacia disseram que, naquela noite, foram 14 roubos", afirmou ela.



21 de mar. de 2008

1009 assassinatos em 2008

Até hoje, 21 de março, 1009 pessoas foram assassinadas em Pernambuco. 12 hoje, 256 até agora neste mês. São dados do Blog PE Body Count que nos chocam e nos remetem às promessas mirabolantes do governador do Estado que, entre outras falácias, garantia encarar a violência pessoalmente, de frente.

Que, como se num passe mágica, resolveria rapidamente.

Não resolveu. Não encarou, não vai encarar. O que se espera é que mesmo que isso não aconteça, o governo busque mecanismos corretos de combate a violência e não tão somente a velha e fadada repressão.

Os programas pilotos que existiam no Bairro de Santo Amaro e que provaram ser de grande eficácia para a saída dos jovens do cometimento de crimes precisam ser urgentemente restaurados.

Não é possível nem engraçado observarmos que tais programas foram desativados por puro casuísmo e má vontade do governo.

Quaisquer outros programas que visem a redução da criminalidade precisam ser criados e postos em prática o mais rapidamente possível.

A população pernambucana não pode nem deve mais tolerar tanta violência e tanta omissão.

20 de mar. de 2008

Gestão anterior da Cepe queria Diário Oficial colorido pra destacar Eduardo

O Diário Oficial do Estado, impresso pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), pode ganhar páginas coloridas. O Blog teve acesso esta semana a um memorando com data de 29 de novembro de 2007 e assinado pelo ex-gestor administrativo da Cepe, Hélio Batista, dando conta da novidade.

Batista deixou a Cepe na esteira das mudanças ocorridas em fevereiro com a substituição do poeta Flávio Chaves, na presidência da companhia, pela atriz e pesquisadora da cultura popular Lêda Alves.

Não se sabe se a idéia foi arquivada pela nova equipe formada por Lêda. Até porque a saída de Flávio Chaves se deu em meio a denúncias de má gestão administrativa.

De todo modo, é curioso ver os termos do memorando para justificar a impressão em cores do DO.

No documento, o então gestor administrativo comunica e autoriza o almoxarifado da Cepe a permutar bubinas de papel que estavam no estoque da companhia com outras que seriam trazidas por uma empresa fornecedora.

"Tal permuta justifica-se em virtude do novo paradigma de impressão que o Diário Oficial vai ter no próximo ano. Será um Diário Oficial, inclusive por determinação da Casa Civil, impresso de forma diferenciada e colorida, com o principal objetivo de caracterizar a atual gestão de Eduardo Campos", explica Batista no texto.

Segundo ele, a permuta possibilitaria a realização de testes "a fim de tornar a impressão definitiva do próximo ano (2008) amplamente satisfatória".

Defensoria Pública ameaça paralisar serviços

Foto: Guga Matos / JC Imagem

A partir de hoje quem recorrer à Defensoria Pública de Pernambuco, poderá encontrar um serviço lento e até mesmo parado em alguns locais de atendimento. A Associação dos Defensores Públicos de Pernambuco (Adepepe) anunciou, ontem, que vai paralisar algumas atividades por tempo indeterminado.

"A paralisação só não vai existir se o governo do estado cumprir o que a Constituição prevê e o Supremo Tribunal Federal já determinou executar, que é dar autonomia financeira e administrativa à defensoria", observou o presidente da Adepepe, Edmundo Siqueira.

A possibilidade de paralisação, entretanto, contraria a posição da presidente da defensoria, Tereza Joacy. De acordo com Siqueira, a posição da Adepepe foi definida em assembléia com a classe, no último dia 12. "Cerca de 70 defensores participaram da decisão. Só não foram mais porque muitos são do interior de Pernambuco", argumentou Siqueira.

A defensoria tem 241 defensores, distribuídos em cerca de 150 comarcas. "O que se pretende é chamar a atenção do governo para a votação do Projeto de Lei que está na Assembléia Legislativa do Estado desde 2006". O Projeto de Lei 305/ 2006 propõe a autonomia financeira e administrativa da Defensoria Pública de Pernambuco.

"O governo do estado só tem que fazer cumprir o que a Constituição prevê e o que o Supremo Tribunal Federal determinou, em maio de 2007, que é a desvinculação da defensoria a órgãos do governo. No entanto, o governo ainda não autorizou que os deputados votassem porque não quer fazer orçamento para a defensoria", justificou Siqueira. "Se aprovado, a entidade irá gerir seus próprios recursos, fazer seu planejamento, definir suas prioridades e andar com as próprias pernas", defendeu Siqueira.

"A desvinculação de qualquer secretaria do governo também livraria a defensoria das nomeações políticas. E tudo isso melhoria consideravelmente o atendimento prestado à população", garantiu. A Defensoria Pública do Estado tem, entre outras competências, a de promover, judicial e extrajudicialmente, a defesa de interesses pessoais, sociais e patrimoniais de pessoas pobres, na forma de lei.

http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=2008320072828&assunto=82&onde=1