24 de out. de 2008

Dengue cresce 372% no Recife

Casos confirmados da forma clássica da doença cresceram 372% entre 2007 e 2008, segundo balanço divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde.

Wagner Sarmento

wsarmento@jc.com.br

O número de casos confirmados de dengue cresceu 372% no Recife entre 2007 e 2008. Balanço divulgado, ontem, pela Secretaria Municipal de Saúde revelou que, do início de janeiro a 15 de outubro deste ano, foram comprovados 3.162 registros da doença, contra 670 no mesmo período do ano passado. As notificações sofreram aumento de 161%, passando de 3.233 para 8.453. O Ministério da Saúde (MS) alertou que os prognósticos para 2009 são ainda piores.

“O aumento se observou não só aqui, mas no Brasil todo. A cidade apresenta condições favoráveis para proliferação do mosquito. Os números só não foram maiores por causa das medidas que tomamos para frear o avanço da doença”, ponderou a secretária Tereza Campos.

Nos últimos meses, no entanto, os registros de pessoas acometidas por dengue têm caído. Em agosto, a PCR confirmou 36 casos. O número despencou para quatro em setembro. Até a semana passada, nenhum caso havia sido comprovado em outubro. A queda, porém, não permite comemorações, garantiu Tereza. “É natural essa tendência de redução. O aumento nos casos começa em janeiro e chega ao pico nos meses seguintes. No meio do ano, o índice cai”, explicou.

Segundo ela, os ovos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, duram até um ano e eclodem sobretudo no período do inverno, quando há maior alternância entre sol e chuva. “A gente não pode dar trégua ao mosquito. As ações precisam continuar. É preciso reforçar a importância da população nesse processo”, frisou.

A secretária municipal participou de duas reuniões recentes no MS para traçar estratégias de combate à dengue para o ano que vem. O Recife será uma das cidades contempladas com nova armadilha para capturar o mosquito adulto, chamada de mosquitrap. O ministério ainda vai definir quando os equipamentos chegarão à capital pernambucana e quais os bairros contemplados. Com 584 notificações este ano, a Várzea, Zona Oeste, lidera o ranking das localidades. Outro projeto federal a ser implementado no Recife é um novo teste que diagnostica a doença em 15 minutos e identifica o sorotipo em circulação.

“O cenário para o próximo ano é preocupante. Existem quatro tipos de vírus e um deles ainda não entrou no Brasil. Nada garante que ele não chegará. Temos que nos preparar. O cerco montado contra o mosquito tem que ser maior e o sistema de saúde precisa estar preparado para atender a população”, observou Tereza Campos.

A gerente de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Adriana Regina Lucena, disse que Pernambuco vai receber, ainda este mês, R$ 7,4 milhões do MS. O Estado tem 38 municípios na lista de prioridades do programa nacional de combate à dengue. “Já estamos traçando as estratégias para 2009. O momento é ideal. O ministério revelou que existe o risco de uma epidemia de dengue do tipo 2. Aqui há uma suscetibilidade grande. Com a identificação precoce de focos da doença, fica mais fácil vencer o problema”, declarou.

A cada 15 dias, a PCR promove a troca de 2,5 mil ovitrampas, armadilhas para coletar ovos do mosquito, espalhadas pela cidade. No bairro da Várzea, os agentes de saúde ambiental visitaram 295 residências. Ninguém da família da dona de casa Maria José Feitosa, 73 anos, contraiu dengue até hoje.

Consciente da importância da prevenção, a moradora da UR-7, na Várzea, faz sua parte. “A cisterna vive fechada. Afinal, quem não tem medo dessa doença?”, indagou. Ação realizada na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) eliminou 43 focos e 56 depósitos de dengue.

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/10/23/not_304595.php

Servidor denuncia que foi contaminado no IML

O auxiliar de legista Avanildo Gomes diz que corre risco de perder a visão após contrair infecção por trabalhar sem equipamentos essenciais. Outro funcionário pegou fungo e foi afastado das atividades.

Condições de trabalho precárias, funcionários sem receber adicional de insalubridade ou gratificação de risco de vida, profissionais afastados do emprego por problemas de saúde que eles garantem terem adquirido em serviço. Essa é a realidade do Instituto de Medicina Legal (IML), em Santo Amaro, área central do Recife. O caso extremo registrado na unidade foi o do auxiliar de legista Avanildo Bezerra Gomes, 51 anos, que corre o risco de perder a visão do olho direito por uma infecção contraída, segundo ele, por trabalhar sem os devidos equipamentos de proteção. Um outro auxiliar, Antônio Lourenço da Silva, também está afastado do serviço porque pegou um fungo no braço.

“Já fui ao hospital e disseram que era um fungo. Fui a outro médico e ele já falou que poder ser uma alergia”, disse Antônio Lourenço.

Avanildo Bezerra é mais incisivo. “Não vejo mais nada pelo olho direito. Tudo começou depois que uma mosca, que saiu de um corpo em decomposição voou direto para dentro do meu olho”, assegurou o auxiliar de legista.

O oftalmologista da Fundação Altino Ventura Diego Gadelha examinou o auxiliar de perícia Avanildo Bezerra. Segundo o médico, não se pode dizer que a causa da úlcera de córnea no paciente teria sido o contato com a mosca no IML.

“Não é possível afirmar exatamente o que pode ter causado a lesão e o quadro infeccioso no paciente. O que estamos fazendo agora é tratando o senhor Avanildo e aguardando a evolução do quadro para ver se ele vai voltar a enxergar normalmente ou se será preciso um transplante de córnea para que ele tenha a visão restabelecida”, informou o oftalmologista.

Os funcionários contratados no último concurso denunciam que trabalham sem receber o adicional de insalubridade e a gratificação de risco de vida. “Quando a gente estava na academia, falaram que teríamos as mesmas garantias dos policiais civis. Na verdade, a gente se expõe, entra nas comunidades mais violentas do Estado para recolher os corpos, não recebe gratificação e nem tem direito de andar armado”, denunciou um funcionário que pediu para não ser identificado.

O setor de corpos em putrefação do IML, conhecido como Coréia (uma referência à carnificina ocorrida na guerra EUA X Coréia do Norte, nos anos 50) é o alvo das maiores críticas dos funcionários.

“Não temos equipamentos adequados para manusear os cadáveres em decomposição. Faltam luvas, botas, aventais, óculos. Nem a máquina que serve para matar as moscas da sala funciona”, revelou outro servidor.

Não só no setor de necropsia há problemas. Ontem pela manhã, por exemplo, os usuários que procuraram o setor de traumatologia não receberam os laudos porque não havia tinta nas impressoras do IML.

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/10/24/not_304757.php

Escola suspende aula e professor exige segurança

Depois que docente foi assaltada por ex-alunos, Escola Vidal de Negreiros, Afogados, foi fechada ontem e não terá atividades hoje. Clima é de pânico.

A violência nas escolas, exposta em três episódios ocorridos esta semana, deixou os professores acuados. Ontem, a Escola Estadual Vidal de Negreiros fechou as portas. Localizada em Afogados, Zona Oeste do Recife, a unidade teve uma das professoras vítima de seqüestro-relâmpago, anteontem. Entre os ladrões, dois ex-alunos. As aulas foram suspensas por medo. Não pela violência em si, mas por ela ter sido praticada contra educadores, pessoas que, na teoria, deveriam ser respeitadas.

“Paramos as aulas, pois é a forma de nos escutarem. Somos seres humanos sem ajuda. Alguém tem que olhar por nós. Estamos com medo e ninguém nos escuta”, disse a professora Maria de Lourdes Rodrigues, resumindo o sentimento dos outros docentes. Hoje, a intenção dos professores, diretores, pais e alunos da escola é manter as aulas suspensas. Só com a presença de policiais militares é que pretendem retomar as atividades na unidade.

Com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), planejam ir, pela manhã, à Secretaria Estadual de Educação, Centro do Recife, para cobrar segurança. Ontem, durante reunião entre docentes, diretores e pais, inclusive com a presença da professora vítima do seqüestro-relâmpago, disseram que a violência na unidade é denunciada desde 2005.

“Enviamos ofícios e até hoje nada foi feito. Drogas são vendidas livremente na frente da escola e só contamos com um porteiro, desarmado, que vive sendo ameaçado quando reprime qualquer coisa. Os dois PMs da Patrulha Escolar ficam na unidade apenas à noite, mas os problemas têm acontecido durante o dia. Não agüentamos mais. Só voltaremos a dar aula quando houver segurança”, afirmou a diretora da Vidal de Negreiros, Adjane Souza.

A Secretaria Estadual de Educação garantiu que a partir de hoje haverá reforço no policiamento. Uma dupla de PMs passará a atuar no local durante o dia. Uma equipe de psicólogos e assistentes sociais também será enviada.

Diferentemente da Vidal de Negreiros, nenhuma mobilização aconteceu nas duas escolas municipais que também foram alvo de atos violentos, só que direcionados a uma professora e a uma diretora, ocorridos na segunda e terça-feiras.

Na Escola Municipal Lojistas do Recife, no Curado I, Zona Oeste do Recife, uma professora foi agredida fisicamente pela mãe de uma aluna. A docente prestou queixa, mas não quis falar com a imprensa. Está recebendo apoio psicológico. Na Escola Municipal Mário Melo, em Campo Grande, Zona Norte da capital, uma diretora teve uma arma apontada para a cabeça pelo responsável por um aluno. Mesmo assustados, professores e diretores não quiseram falar.

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/10/24/not_304763.php