Há um ano e meio, teto de cinco plataformas do terminal está escorado com ferro, para não desabar. Nenhuma providência foi tomada até agora A situação do Terminal Integrado de Passageiros (TIP), no Curado, Zona Oeste do Recife, é de penúria. E não é de agora. O descaso do poder público é tão sério que há pelo menos um ano e meio o teto de cinco plataformas de embarque e desembarque das linhas intermunicipais e interestaduais está escorado por estruturas de ferro, sem que nada seja feito. As escoras tentam evitar o pior, já que desde a gestão passada nunca houve recursos para fazer a reforma necessária, estimada em, no mínimo, R$ 4 milhões.
Funcionários já nem estranham mais a degradação. “Tá tudo ruim mesmo. Ficamos aqui esperando o dia em que o TIP vai fechar ou desabar”, afirmou uma funcionária, que não quis ser identificada. Os passageiros que costumam passar pelo terminal também se acostumaram. Mas aqueles que viajam de vez em quando se impressionam com a falta de cuidado. “De cara a gente nota que ele está abandonado. Os banheiros são fedorentos e a estrutura é velha. Deveria ser muito melhor, principalmente por ser a rodoviária oficial do Estado”, criticou o professor Marcos Barbosa, 37 anos, que seguia para Caruaru, no Agreste.
Os problemas do TIP são muitos e provocados, diretamente, pelo esvaziamento da operação dos ônibus. Localizado a 20 quilômetros do Centro do Recife, gradativamente as empresas que operam no terminal começaram a incluir a área central e corredores importantes da cidade no percurso das viagens. Isso fez com que o número de linhas partindo e chegando do terminal sofresse uma redução de 50%, percentual que se reflete na queda do movimento dos 71 estabelecimentos comerciais instalados no local.
E não é à toa. Atualmente, apenas 55 linhas intermunicipais e interestaduais estão em operação no terminal, gerando 125 viagens. Das 35 ligações intermunicipais, 25 estão indo para o Centro do Recife e, juntas, respondem por 200 viagens, quase o dobro das geradas a partir do TIP. Três milhões de passageiros passam, anualmente, pelo terminal.
“Hoje, vivemos dos clientes das empresas instaladas no entorno, não dos passageiros. E o pior é que pagamos caro para estar aqui. Minha família possui duas lojas e pagamos um aluguel de R$ 900 e outro de R$ 471. Não temos a limpeza que deveríamos e há infiltrações nas lojas”, afirmou a comerciante Chrisley Marinho, 35 anos. A família dela comercializa na rodoviária desde que ela funcionava no Centro do Recife.
Somente para a manutenção do TIP, são necessários R$ 145 mil por mês. Dinheiro insuficiente para garantir a infra-estrutura do local. Por fora, as despesas com os funcionários. Sem recursos, o governo do Estado, responsável pela gestão do terminal, vê o acúmulo de problemas. Além do escoramento do teto, é possível encontrar pelo menos cinco baias de ônibus desativadas por causa de vazamentos e infiltrações.
Até mesmo a segurança da unidade está comprometida. O posto da Polícia Militar que funcionava no lugar foi desativado no início do mês, porque os dez policiais que se revezavam estavam sem receber há três meses. Agora, apenas dois PMs numa viatura permanecem no local.
http://jc.uol.com.br/jornal/2008/04/05/not_276560.php


Nenhum comentário:
Postar um comentário