Governo alertou, ontem, municípios do Grande Recife para a piora da situação. Sétima morte em decorrência da forma hemorrágica foi confirmada.
A transmissão de dengue em Pernambuco piorou nas últimas duas semanas, com novos doentes e aumento da infestação do território pelo Aedes aegypti, a muriçoca transmissora. “A situação mudou radicalmente. Se não interrompermos a circulação viral agora, poderemos viver uma epidemia”, alertou ontem o secretário-executivo de Vigilância em Saúde do Estado, Cláudio Duarte, num encontro com secretários municipais de saúde e técnicos da Região Metropolitana.
Ele acredita que Jaboatão dos Guararapes, onde o número de doentes suspeitos cresceu e foram confirmadas três mortes por dengue hemorrágica em abril, enfrente situação epidêmica. Após o evento, o Laboratório Central do Estado confirmou mais uma morte pela doença, a sétima do mês, de um morador de Abreu e Lima.
“Temos o vírus presente em todos os municípios e enfrentamos dificuldades para eliminar os criadouros”, argumentou Duarte na reunião, pedindo mais agilidade das prefeituras e convocando todos os gestores para um trabalho conjunto. Segundo análise preliminar, haveria no Estado 120 doentes para cada 100 mil habitantes e a epidemia se configuraria em 300 casos por mil. O secretário disse que o objetivo atual é bloquear a proliferação do mosquito e garantir assistência adequada para evitar filas e mortes.
Conforme Cláudio Duarte, vários fatores são favoráveis ao aumento da circulação viral, além do clima (chuva e calor) e da falta de saneamento. “A introdução do vírus está sendo rápida, o número de agentes ambientais é pouco, o território é grande e muitos imóveis permanecem fechados”, enumerou.
Ele se queixou também de notificações feitas pelas prefeituras. “Elas não estão revelando a evolução da transmissão”, afirmou, baseado em informações do Mapdengue, instrumento adotado pelo Estado para acompanhar a doença e que inclui denúncia de casos e focos feita pela população. Enquanto o Mapdengue sinalizava entre 13 e 19 abril 417 casos, só duas notificações foram feitas pelos municípios. “As planilhas das secretarias municipais mostram até redução entre a 14ª e a 15ª semana do ano, o que não deve ser a realidade”, criticou.
O secretário chamou em especial a atenção de municípios que estão notificando poucos casos ou atrasando o repasse de informações. Abreu e Lima, Araçoiaba, Itamaracá e Igarassu foram citados entre os que têm enviado pouca informação. “Se um dado chegar quatro semanas depois, não teremos mais o que fazer”, disse.


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