Emergência tem capacidade para 60 pacientes, mas estava com 201 pessoas ontem. Havia macas em corredores e doentes agonizando do lado de fora.A emergência do Hospital Getúlio Vargas (HGV), no bairro do Cordeiro, Zona Oeste do Recife, amanheceu superlotada ontem. A placa afixada na porta da urgência – a segunda maior da rede estadual – indicava que 201 pessoas estavam sendo atendidas num espaço com capacidade para assistir 60. Corredores tomados por macas, pacientes do lado de fora agonizando à espera de atendimento e familiares de doentes indignados com a situação deram o tom de mais uma manhã de caos na unidade de saúde.
A dona de casa Aurileide Castro, 46 anos, estava revoltada porque, quase três horas após chegar ao hospital, sua filha, Andréa Castro, 19, ainda não havia recebido atendimento. “Ainda tem 15 pessoas na nossa frente. Ela está passando mal, tremendo. Ficou a noite inteira vomitando, com diarréia, dor de cabeça e febre”, contou. Aurileide disse que implorou aos médicos para que Andréa fosse logo examinada. “Mas falaram que não podiam fazer nada”, lamentou.
Mais enfurecido estava o autônomo Josuel Francisco da Silva, 27, que saiu de Itapissuma, no Grande Recife, desde a noite da segunda-feira, com a sogra doente. “Foi uma demora para ela ser atendida. Eu estive lá dentro e aquilo é desumano. Sem condições. Dá até pena de ver as pessoas jogadas. Isso é um absurdo, um verdadeiro caos”, disparou ele.
http://jc.uol.com.br/jornal/2008/04/09/not_277051.php


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